A Europa vive numa situação de grande debilidade económica e política, e tem uma expressão preocupante na crise da Alemanha e na instabilidade política em França.. Estes dois países são uma trave-mestra da economia europeia e representam um conjunto de 40% do PIB da União Europeia . O pior para enfrentar uma cascata de crises. Como se sai daqui? Esta situação de grande volatilidade, face ao que se passa na Europa, e, no mundo é também uma preocupação para Portugal, que exporta 70% dos seus bens e serviços para a União Europeia, sendo que a Alemanha, à beira da estagnação e a França à beira da fragmentação, respondem por 7% das nossas exportações, o que cifrou em 2023 para 9mil milhões de euros de receitas .Com a guerra tarifária do presidente Trump é crucial apoiar a tesouraria das empresas atingidas, reforçar os apoios à internacionalização e diversificação das exportações . explorando novas geografias, como o Mercosul e a Ásia, e ao mesmo tempo reforçar os programas do PRR e de PT 2030 dedicados à capitalização, inovação empresarial e competitividade.. Só com empresas portuguesas portuguesas competitivas e capazes de produzir bens e serviços de maior valor acrescentado, é possível resistir a esta conjuntura difícil. Acresce a isto, que a União Europeia tenha perdido competitividade nas últimas, décadas face à China e aos Estados Unidos. Em 2008 o PIB é cerca similar, cerca de 14 biliões de dólares. Hoje o PIB da União é cerca de 80% do PIB americano, o que significa uma perda de 26%, um pouco mais do que 13 anos. Ao mesmo tempo, os EUA têm sabido manter a sua posição económica no contexto global e, continuam hoje como em 1980 a representar cerca de 26% do PIB global, enquanto os outros países do G7 têm tido um declínio em comparação com os BRIC. Estes países representavam em 1990 17% do PIB mundial em paridade do poder de compra, contra 47% do G7 que aglutina as sete economias mais avançadas do mundo.: Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido Os BRICS têm vindo a aumentar de forma consistente. Na Europa ainda não percebemos o " declínio ocidental" e também sobretudo o "declínio europeu". Um dos problemas tem que ver com o facto de a União Europeia estar a perder a corrida da inovação para os Estados Unidos e a China. Em Abril de 2024, foi publicado o trabalho da BOCCONI de Itália e da universidade de Toulouse sobre inovação Europa, sobre inovação na Europa: as conclusões são preocupantes. A União Europeia é hoje um player menor em indústrias de ponta como o software em que os Estados Unidos detêm75% do mercado mundial contra 6% da União Europeia. A aposta da inovação na Europa está direcionada para a gama média ou baixa de tecnologia, como o setor automóvel tradicional, enquanto os Estados Unidos pontificam na gama alta das tecnologias, como o desenvolvimento de software, as aplicações múltiplas da inteligência artificial dos produtos de saúde ou as biotecnologias. Na área da inteligência artificial, só 7%das novas patentes mundiais vêm da Europa, o que é manifestamente o que é manifestamente exíguo Na área da fabricação dos microchips, que são essenciais para a industria de computadores, as telecomunicações, a engenharia eletrónica ou aeroespacial, a Europa na década de 90, tinha mais de 23% no mercado mundial .Hoje tem menos de 9%. , Mesmo na área dos dados, que são cruciais na economia da informação, só cerca de 13% dos dados gerados na Europa, ficam no continente, o resto vai para outras partes do mundo , onde se se criam os centros de tratamento de dados, que são uma nova fileira de economia Esta debilidade da economia europeia é ainda mais gritante, quando se analisa a evolução das últimas décadas, relativamente aos maiores blocos económicos do planeta. Os Estados Unidos conseguiram manter o seu poder económico global e souberam adaptar-se à nova era da competição na idade das interdependências. A sua posição dominante repousa menos sobre a supremacia militar e mais sobre a sua dominação tecnológica global das redes e dos nós estratégicos, por onde se processam os principais fluxos financeiros e de informação do mundo. Por outro lado, a Europa tem visto o seu PIB declinar, em percentagem do PIB global, e, ao contrário, os países emergentes como a China à cabeça, têm subido o seu peso económico. O que temos hoje, no quadro geopolítico e geoeconómico global é a manutenção da posição dominante dos EUA. E temos também o reforço dos BRICS e a diminuição do peso económico e da influência política da União Europeia Neste contexto, assistimos hoje no mundo, à transformação da emergência económica, em reivindicação política, tendo por base um jogo novo para a partilha do poder. E para esta partilha a União Europeia, arrisca -se a ser um dos perdedores, porque está a perder poderio económico, e ficar para trás na inovação na sociedades do século XXI.É altura de termos uma renovação do projeto europeu, adaptando-o aos desafios do nosso tempo, com passos claros para o reforço da União Política, para a construção do Mercado Único de Capitais com o Pacto de crescimento da Economia Europeia, com o financiamento através da mutualização da dívida, e com o reforço do Orçamento Europeu. Precisamos de clareza de pensamento e passos decisivos e firmes na direção de mais Europa, mais integração, mais convergência, mais crescimento e menos desigualdades.
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