terça-feira, 18 de agosto de 2026

O MERCADO ÚNICO EUROPEU

 O Mercado Único Europeu é uma das grandes conquistas da União Europeia . É uma trave -mestra da integração e tem funcionado ao longo das últimas décadas como um catalisador do crescimento económico da prosperidade e da solidariedade europeias. O problema é que o Mercado Único tem muitas falhas.. Está longe de ser perfeito e de atingir todo o seu potencial e isso impede a economia e as valências produtivas da Europa de darem o seu salto de escala e poderem competir com as grandes potências mundiais. É inegável que existem áreas como a dos produtos em que o Mercado Único funciona melhor, mas também longe de atingir o seu potencial, devido à permanência de algumas barreiras internas na circulação de bens, Quanto ao mercado Único de serviços a situação é pior, é um mercado incipiente, funciona mal e continua a existir barreiras e obstáculos em múltiplos níveis, que inibem o seu desenvolvimento pleno. Atualmente os serviços representam cerca de 2/3 do PIB dos países europeus. O futuro depende deste setor, e a europa não conseguiu encontrar o caminho para construir um verdadeiro  Mercado Único de Serviços, deixando -se envolver na visão protecionista de algumas lideranças europeias que só olham para o seu umbigo e não estão na Europa para somar, mas para subtrair. Num artigo recente, no Financial Times, Draghi discute alguns constrangimentos da Europa e receio sobre o impacto das tarifas norte - americanas, anunciadas pelo presidente Trump, contra os produtos europeus. Trump quer impor tarifas de 25%, mas Draghi argumenta, com base num estudo do FMI, que as barreiras internas que existem na Europa, impedem que o continente utilize todo o enorme potencial do Mercado Único. Essas barreiras europeias ao Mercado Único, equivalem a uma tarifa de 45% imposta aos bens e uma tarifa de 110% imposta aos serviços. Isto é paradoxal: ficamos indignados e bem com tarifas americanas e as políticas protecionistas de Trump, dos bens e serviços que equivalem a  duas vezes as tarifas americanas e as políticas protecionistas de Trump mas, os países europeus continuam a ter barreiras ao livre fluxo de bens e serviços que equivalem a duas vezes as tarifas americanas nos serviços. Esta é a hora definitivamente de a Europa fazer face a estas barreiras e libertar o enorme potencial do Mercado  Único Europeu. Sejamos claros: a Europa só pode crescer com um Mercado Único eficiente e multidimensional, nos produtos, nos serviços, na energia, no capital e finanças, nos dados e redes digitais .A Europa só pode crescer e sair da estagnação económica atual, com mais competição, mais concorrência, mais inovação e mais aposta nos setores da alta tecnologia. A Europa tem de se virar para fora através da sua capacidade exportadora, mas deve também virar-se  para dentro, dinamizar a sua procura interna e explorar o comércio intraeuropeu. A Europa vive um paradoxo porque é mais fácil fazer comércio com o exterior do que no interior. A globalização removeu muitas barreiras externas mas dentro da Europa, essas barreiras subsistem e, é por isso, que quando comparamos com os Estados Unidos, são duas vezes às que ocorrem dentro da Europa A ideia da "Europa- Fortaleza" é tão errada como a "Europa-Retalhida" com barreiras internas injustificadas que debilitam o crescimento da procura interna. E o que dizer do Mercado Único da Energia, que costuma excluir a Península Ibérica ,tratando-a como ilha energética separada da Europa e com as conexões limitadas ao mínimo? Assistimos a proclamações periódicas de planos para aumentar essas conexões, mas depois esses planos não avançam, porque as ligações através dos Pirenéus, são barradas pelos egoísmos nacionais, em particular os da França, ancorada na defesa a todo o transe dos interesses da sua indústria nuclear, Uma das grandes debilidades da Europa é que existem países que ficam quase sempre a olhar para o seu umbigo, em vez de valorizarem aquilo que pode propiciar mais propiciar mais prosperidade e mais segurança energética para o continente. Muitos líderes europeus, não se apercebem de que os seus países, por si só, por maiores que sejam, no contexto europeu, são irrelevantes no mundo de hoje,. Eles não passam na Europa como um todo, mas é este o único caminho que pode levar o continente a construir  e defender um futuro próspero no mundo e está a deixar a Europa para trás. O caso da energia é paradigmático.  A Europa continua a incorrer hoje na mesma miopia política que impediu a ligação das redes energéticas ibéricas às redes europeias, que caso tivesse sido feita, nos primeiros anos deste século, teria impedido a gravíssima. crise energética com que a Europa Central e de Leste se confrontarem na sequência da invasão da Ucrânia pela Rússia e a utilização que este País fez e faz da energia como uma arma geopolítica. O Reino Unido saiu da União Europeia e irá receber energias renováveis de Marrocos e de Portugal que estão na União Europeia , mas não podem exportar energias renováveis para outros países europeus. A Europa é muitas vezes isto:. uma manta de retalhos em que cada "retalhinho", está mais preocupado com os seus egoísmos nacionais e os seus interesses, em vez de olhar para o todo europeu e ver como potenciar esse todo, abrindo caminhos para o futuro. Portugal tem hoje uma grande vantagem competitiva nas energias renováveis e essa é uma das explicações para a capacidade que o país tem revelado nos últimos anos, em particular a partir de 2022, para atrair cada vez mais projetos de investimento das companhias internacionais. Mas o que se passa no resto da Europa? Os custos da energia são elevados, em particular na Alemanha, e, na Europa Central e de Leste que dependia do gás barato russo e agora recorre ao gás natural liquefeito(GNL) importado dos Estados Unidos e do Qatar que é mais caro. O preço da eletricidade nestes países é três vezes maior do que nos Estados Unidos, e, essa situação irá persistir até o preço marginal de eletricidade ser predominante pelas energias renováveis e fontes mais limpas do que o gás, o que torna mais paradoxal a falta de atenção da Europa para o potencial da Península Ibérica. Em 2022, o ano da invasão da Ucrânia, a fatura energética da Europa, a importação de combustíveis fósseis, foi cerca de  4,1% do PIB europeu. É uma fatura elevada e, portanto, todas estas evidências, a Europa continua a vacilar e a hesitar na criação do Mercado Único da Energia, continua a excluir a Península Ibérica e continua a impedir a exportação de energias renováveis , Mas este paradigma existe também noutros setores como o Mercado Único de capitais. A  Europa é um dos grandes centros económicos do mundo, mas a sua "share" do mercado de capital global, incluindo,  o mercado de "equity", o mercado total de capitalização e o mercado de obrigações corporativas é exíguo. Existem três áreas estruturais que necessitam de uma ação urgente: o acesso e fornecimento de capital, a partir da União de Poupanças, a estruturação dos processos de procura de capital, e a estruturação do mercado e do modelo que irá governar o fluxo desse capital .Uma questão central aqui, são os investidores, os fundos de pensões, e , as seguradoras, que na Europa desempenham um papel no mercado financeiro, muito abaixo do que se passa noutras geografias  Uma das razões é que muitas vezes, as normas contabilísticas limitam a capacidade de ação dos investidores institucionais a provisionar como perda uma percentagem elevada  do investimento em projetos com algum risco. É crucial rever essas normas de uma forma equilibrada, ponderada e produtiva A reinvenção do Mercado Único Europeu é um dos caminhos para a Europa ganhar projeção e escala, revigorar a sua economia, recuperar o atraso tecnológico e o fosso da competitividade. que tem hoje face aos Estados Unidos e à China, e, constituem um futuro sustentável com mais riqueza. Porque é que nos últimos 20anos a Europa deixou de crescer? A Europa não cresce porque o seu modelo económico está obsoleto. A Europa prosperou no passado, com base na sua indústria  convencional, em particular a sua indústria automóvel, os camiões, o seu equipamento elétrico tudo alimentado pelo gás barato russo. Algumas destas indústrias estão em crise, em particular a indústria automóvel, e o preço da energia é hoje caro na Europa, pelo que isso são desvantagens para a economia europeia. Mas outra causa da falta de crescimento, tem que ver com o facto de a Europa se ter concentrado nas indústrias convencionadas de tecnologia média ou baixa, sendo ultrapassada, pelos  Estados Unidos, nos setores de alta tecnologia, que geram mais valor. Estamos a  falar da indústria farmacêutica, das indústrias de software, dos equipamentos para as telecomunicações, do aeroespacial, dos instrumentos médios. ópticos e das biotecnologias. Acontece que é nestas indústrias que hoje se podem criar, a grande escala, produtos e serviços de alto valor acrescentado, e as economias que impulsionam essas indústrias,  que hoje se podem criar, a grande escala, produtos e as economias que impulsionam essas indústrias são as que têm crescimento económico mais significativo porque são as  que geram mais valor e mais riqueza. Existe ainda outro fator adicional que limita a Europa: há uma grade diferença entre as empresas  americanas e europeias , relacionadas com a capacidade de adaptação  e de mudança e de mudança face a novos desafios e tecnologias. as empresas americanas são mais rápidas e eficazes no processo de mudança face a novos desafios e tecnologias. A fraca capacidade de inovação, é preocupante porque a Europa tem um bom sistema científico e tecnológico, mas tem um foco errado no funcionamento do seu sistema de inovação É importante acelerar a inovação, é fechar o gap em termos de competências em termos de competências e qualificações dos trabalhadores europeus, tendo em conta que a população está em queda, por potenciar a competitividade,. é fundamental apostar nos ganhos de produtividade com melhores competências e qualificações. É preciso sustentar e reforçar o  o investimento,, reforçar a reindustrialização da Europa e melhorar todo o modelo de estratégia e controle para alcançar os objetivos..


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