Na maior parte das opiniões as previsões são bastante negativas. Primeiro, o efeito que a pandemia teve no emprego das mulheres: muitas mães com filhos pequenos, viram-se obrigadas a ficar em casa e- voluntária ou involuntariamente- ficaram desempregadas. Nos Estados Unidos, a disparidade do efeito da crise, nos homens e nas mulheres, é tal que alguns se referem à presente recessão como se tratasse de uma "she-cession". Há no entanto, um aspeto positivo: um dos principais fatores que têm levado à discriminação das mulheres no mercado de trabalho- nomeadamente em progressões da" carreira"- é que estas profissões, exigem um grau de disponibilidade que muitas mulheres não têm, ou não querem ter(por exemplo ficar no emprego longas horas ou viajar frequentemente) Para estas mulheres que querem seguir uma carreira minimamente compatível com tratar da família, o futuro é mais risonho do que o passado: um dos efeitos do teletrabalho, será a maior flexibilidade na gestão das carreiras. E, as mulheres, nomeadamente mães, serão provavelmente o grupo mais beneficiado, por esta evolução. O segundo caso é a globalização. Para aqueles que defendem, no seu conjunto, a globalização é uma coisa boa, a pandemia foi um golpe forte. Por exemplo, as Nações Unidas, estimam que o volume de turismo, baixou entre 60 e 80 por cento, o que corresponde a uma perda económica de mais de um milhão de dólares. No entanto, tal como o teletrabalho, a grande experiência da pandemia, terá efeitos que continuarão muito para lá. Um desses efeitos é acelerar a convergência para a "economia não espacial". A economia é cada vez mais uma economia de serviços, e muitos desses serviços, são facilmente transacionados à distância. Muitas empresas em muitos setores estão a descobrir que uma parte importante do movimento das pessoas é supérfluo. Nesse sentido, as medidas "tradicionais" de globalização- como seja o transporte aéreo- não mostram a fotografia completa do que está a acontecer à globalização. O terceiro caso- da faca de dois gumes- é o efeito da pandemia nos mais pobres. O século XXI tem sido mau para os menos favorecidos. Concretamente, a revolução digital em curso, cria um fosso cada vez maior entre os que têm as aptidões necessária para vencer, e os que não as têm. A pandemia. é uma machadada adicional em muitas dessas pessoas: pessoas que trabalham em fábricas e em escritórios, e especialmente, pessoas que trabalham nos setores a restauração, hotelaria e relacionados. É provável, que, muitos desses empregos, sejam restabelecidos no futuro, mais ou menos próximo, mas entretanto, temos mais de milhares e milhões de pessoas que sofrem a sério. No entanto, há uma vontade política, de criar programas ambiciosos de apoio às famílias e às pequenas e médias empresas. Isso varia de país para país, mas os casos da União Europeia e especialmente dos Estados Unidos, são notórios, tanto no que respeita à dimensão do programa, como ao enfoque no auxílio dos mais favorecidos, como também o relativo consenso sobre a importância dessas medidas. Esperamos que, no futuro, olhemos para trás e, vejamos 2021, como o ano em que começamos a combater o problema da desigualdade e exclusão social de forma séria. Coloca-se a este propósito uma questão: saber se o principal risco político para as democracias é o nível muito elevado de pobreza, ou um padrão de distribuição de recursos muito desigual. A necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar; e, não apenas por uma exigência pragmática de obter resultados e ordenar a sociedade, mas também, para a curar duma mazela que a torna frágil, e que só poderá levá-la a novas crises.. A desigualdade é a raiz dos "grandes males", e enquanto não forem solucionados os problemas dos pobres, renunciando à especulação financeira, e combater as causas sociais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo. Nas últimas décadas, mesmo em sociedades ricas, as desigualdades na distribuição de rendimentos, aumentaram. Esta transformação, tem consequências económicas sociais e políticas profundas. A desigualdade tem um preço: níveis excessivos de iniquidade na distribuição de recursos, representam um risco sistémico e são responsáveis por diversas formas de instabilidade política. Uma sociedade dividida, funciona pior, também porque, a desigualdade material traduz-se necessariamente numa desigualdade política. Por isso, nas nossas sociedades, os riscos associados às desigualdades materiais, foram regulados politicamente através de mecanismos de socialização, de que a criação da proteção social, assente no seguro público, é exemplo paradigmático. A importância relativa dos mecanismos de redistribuição material, como forma de contrariar as desigualdades criadas no mercado, corresponde a um reconhecimento de que a desigualdade dos resultados e de rendimentos, é ,uma importante medida, artificial, logo a focalização excessiva na igualdade de oportunidades, incentivada pela educação pública é desadequado. Responder à desigualdade de resultados, é a forma mais eficiente de responder às desigualdades de oportunidades, porque garantir trabalho e /ou rendimentos suficientes aos adultos, ajuda a quebrar a reprodução geracional da pobreza. Encontramo-nos em tempos difíceis. É necessário dar resposta a alguns problemas económicos para irmos resolvendo o problema da crise em que vivemos.
quarta-feira, 31 de março de 2021
quinta-feira, 4 de março de 2021
A" BAZUCA" EUROPEIA
O agudizar da crise pandémica confirma a ideia de que 2021 é um ano marcado pela continuidade e agravamento da crise iniciada no ano anterior. Isto é, um problema de saúde pública que além da destruição humana que provoca, atira a economia para uma profunda crise, com consequências ainda não totalmente previsíveis. A pandemia parou subitamente um ciclo de mais de uma década de crescimento económico contínuo, naquele em que já era considerado como o mais longo "bull market". Tudo parou bruscamente com o início da pandemia. Apesar das boas perspetivas com as vacinas e a maior resistência no sistema de saúde e das empresas, os resultados catastróficos do início do ano, colocam Portugal em duplo desafio: travar o aumento do epicentro da crise da saúde pública com a trágica perda de vidas e antecipar as ações para contrariar o aprofundar das consequências na economia. A perda em Portugal é enorme. Só em 2020 a nossa economia teve uma recessão a rondar os 7,6% do PIB, com impactos sérios e altamente destruidores em setores importantes, o que levou à perda de milhares de postos de trabalho e à falência de muitas empresas. O investimento empresarial caiu mais de 16% no ano passado, de acordo com o Inquérito ao Investimento do INE. Para 2021, as perspetivas são uma recuperação modesta; pretende-se, apenas um crescimento de 3,5%. Devido ao confinamento da Europa, o FMI reviu também em baixa as previsões de crescimento económico na Zona Euro para 4,2%. Nas crises, é comum pensarmos que temos muitas formas de as gerir ou manter soluções. Mas não, as crises caracterizam-se exatamente por encolher as opções e estreitar os caminhos a percorrer. A crise a que estamos a assistir é nova em muitos aspetos, nomeadamente, na dimensão que está adquirir e na forma transversal com que está a afetar na generalidade das empresas. Com estes dados é agora preciso atuar e saber que escolhas a fazer. A aposta na qualificação de pessoas, na automação ou na transformação digital, poderão ser chaves de um passado não muito distante. Contudo, os dados de que dispomos conduzem a um caminho convergente, e que o digital, não e sinónimo de inovação, mas sobrevivência e esperança no futuro, salvando postos de trabalho e aumentando a produtividade. Esta crise, teve um efeito geral de aceleração de tendências, que já se dava em diversos planos: na digitalização, na forma de trabalhar, ou na relação com os clientes. No entanto, existe o risco de poder ser um enorme "aquaplaning" que conduza ao desvio de muitos no caminho certo. Quando uma empresa se transforma na área digital, já não está apenas a potenciar aquilo que fazia, mas sim, a abrir novos mercados e a expandir-se em termos de base de clientes. É por isso, que os processos de transformação e inovação digitais, passaram subitamente de "um nice to have" para uma condição mínima de existência, sendo um pilar fundamental na recuperação esperada. Este foco na transformação digital, ajuda a reunir outro pilar, que considero fundamental para a nossa recuperação económica: a aposta em alguns setores industriais e na produção nacional. Não nos podemos esquecer que uma da razões para o progressivo abandono de alguns setores industriais, foi a falta de competitividade que as nossas empresas tinham, quando comparadas com concorrentes internacionais. Só através do aumento de eficiência e produtividade, podemos pretender desenvolver novamente algumas indústrias, pois o mercado e os clientes, não estão disponíveis para suportar os custos de operações antiquadas, ou insuficientes. O mercado continuará a ser global! O caminho é mais estreito do que podemos pensar. Muitas empresas e organizações já perderam esta batalha, e, ainda estamos apenas no início. Segundo o estudo Resilliense Report de Deloitte. de 2021, que mede o grau de resistência das organizações globais, e que contou com a participação de mais 250 chief experience officeres em 21 países, 60% dos líderes do C- level, acreditam que a quebra veio para ficar e irá continuar a marcar o futuro numa base regular e pontual .E a chave numa crise ,como esta, é atuar o mais possível com eficácia. .É de avançar em áreas-chave: investir na força de trabalho com requalificação; diversificar e expandir operações; consolidar negócios e ganhar dimensão; desenvolver capacidades tecnológicas com novos modelos de negócio; desenvolver o trabalho remoto, entre outros. Neste percurso, existirão caminhos aparentemente viáveis, mas que acabarão em becos e valas que poderão ser intransponíveis para muitas empresas, organizações e até setores inteiros. Para que a crise iniciada não se transforme ainda numa crise ainda mais profunda, há que reduzir opções e intensificar o caminho a percorrer com esperança e determinação. A solidariedade entre os países da União Europeia, é fundamental na resposta a esta crise, nas suas vertentes económica e social.. É relevante o projeto europeu, como projeto de paz e de união neste período difícil em que vivemos. O apoio pela via do PPR é substancial e tem que ser já. Não nos podemos esquecer que este Plano é uma parte do bolo financeiro com que Portugal pode contar para atenuar os impactos da crise pandémica. Os objetivos do Plano de Recuperação e Resiliência devem: dinamizar as empresas privadas reforçando os seus capitais e tornando-as mais competitivas nos mercados globais; apoiar os investimentos na requalificação dos trabalhadores portugueses, na transição digital, e, no reforço das condições de sustentabilidade ambiental das empresas(nomeadamente no contexto da transição energética). Um dos maiores problemas assenta no nível de liquidez, pelo que estes apoios devem atuar sobre esta vertente emergente, para além de preparar as empresas para a fase de recuperação, o que passa por uma aposta na valorização da indústria, na requalificação dos recursos humanos; na digitalização dos negócios, na eficiência do uso de recursos, entre outras matérias, e, ligados à produtividade e e competitividade.. A proposta que se encontra no PRR, em consulta pública, representa uma desilusão para o turismo. A referência ao turismo sendo escassa, surge apenas associada a temas genéricos, e não como seria urgente, a projetos estruturais para o desenvolvimento da atividade. Este documento não reflete a importância que o turismo tem para o PIB português, no contributo para a criação de emprego e riqueza para o país. É necessário existir um programa específico para o turismo. Por outro lado, as empresas não têm liquidez e estão muito endividadas. Precisam de liquidez imediata, que deve ser canalizada preferencialmente através da modalidade de financiamento a fundo perdido. Dos 2,7 mil milhões de euros, há uma parte (1,25mil milhões de euros), que deve ter uma papel importante no apoio ao financiamento, desejavelmente, deve prever a conversão total em subsídios a fundo perdido, sem imposição e rigidez de requisitos, que as empresas dificilmente podem assegurar. Vamos ter recursos disponíveis, como nunca vimos em anteriores quadros comunitários. Mas o período que estamos a passar é também inédito. Por isso ,neste momento, a economia precisa, sobretudo, de apoios a fundo perdido, sob pena de assistirmos a um aumento de insolvências e de destruição da capacidade produtiva , o que limita a capacidade de recuperação, quando a economia estiver controlada. Mas, simultaneamente, deve existir grande preocupação pela qualidade da aplicação desses fundos. De pouco servirão se não forem utilizados de forma eficaz e rápida. É necessário saber gerir esses fundos. O Fórum para a Competitividade, considera que o Plano de Recuperação e Resiliência, deve estar concentrado numa forte aceleração do crescimento, única forma de manter contas públicas saudáveis que permitam satisfazer as ambições legítimas da população em termos de saúde, educação, segurança social, ascensão sócio-profissional, e o futuro da economia e do país. Deve por isso ser centralizado na reindustrialização; no incentivo ao aumento da dimensão da empresas ; na promoção da competitividade; da exportações ; na atração de IDE; na melhoria da formação e da qualificação dos recursos humanos; bem como , no aumento da flexibilidade do seu contributo; no estímulo da poupança; e da sua utilização eficiente; numa fiscalidade amiga dos investidores nacionais e estrangeiros; no investimento em infraestruturas da digitalização, que permitam ao país participar na economia do futuro; na reforma de toda a administração pública. Os objetivos a atingir no processo de reindustrialização são:
- Distribuição mais equilibrada do PIB entre os setores primário, secundário e terciário;
- Aumento do valor acrescentado dos produtos e serviços transacionáveis;
- Melhoria do posicionamento competitivo dos produtos e serviços transacionáveis no âmbito da globalização;
- Incremento do rácio Exportações/PIB, alcançando o objetivo de 60%;
- Criação de emprego com maior sofisticação intelectual e tecnológica, mais bem remunerado;
- Intervenção em toda a cadeia de valor, melhorando a resistência da economia portuguesa às crises internacionais;
- Criação de grupos económicos mais robustos e com maior integração internacional.
O dinheiro da "bazuca" ainda não chegou e a polémica já está instalada sob a forma de o gastar. Em primeiro lugar, há que referir o impacto do dinheiro de Bruxelas, cerca de 14mil milhões até 2026, não chega para compensar a riqueza que o país deixou de criar em 2020, que foram 15 mil milões de euros a menos, relativamente a 2019. Em segundo lugar; as opções sobre a sua aplicação, já se encontram realizadas; apoios sociais, investimento na Administração Pública em diversos domínios, e investimento em algumas infraestruturas, altamente consumidoras de capital, a pretexto da transação digital e do "green deal", que se resume em colocar mais dinheiro em empresas renováveis, mas que nos vão ficar dispendiosas, no final. Em terceiro lugar, os investimentos irão ser concedidos ao setor privado, pelo que o dinheiro de Bruxelas se estenderá pela economia, e, pela sociedade, mas entregue a quem possui competências e capacidades para o aplicar mas de forma competitiva. Entretanto, o melhor indicador que a economia está a desligar-se é o desemprego que está a subir em flecha, ameaçando o país com a maior crise social de sempre. O PRR foi acordado no verão de 2020, quando se receava que o impacto da crise económica nas finanças públicas, levasse a uma nova crise da dívida soberana. Na Europa, a prioridade da política económica, não é bem o crescimento, nem o dever de combater recessões. O objetivo não é estimular a economia, mas sim aliviar o Estado. Tudo nas políticas económicas europeias se submete à enorme prioridade: lutar contra o peso da dívida pública.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021
O MUNDO GLOBALIZADO
Hoje em dia, ouvir as notícias pode levar-nos a pensar se algum de nós, terá realmente meios para envelhecer em sossego, ou se alguma vez haverá empregos suficientes para todos. Os "Homens de Davos" podem dar-nos a todos um pouco de poder. Podemos exercê-lo através de pequenas decisões que todos tomamos no dia a dia., estejamos onde estivermos no mundo.. Dennis passou mais de uma década a travar uma dupla batalha contra o nebuloso mundo da finança. Em 1998, Dennis conseguiu um novo emprego o escritório do Northern Rock, um banco britânico. O Northern Rock tornou-se sinónimo de crise financeira de 2008. A quem se deve atribui culpas por tamanha catástrofe? A culpa pela crise que destruiu poupanças de muita gente pode estar noutros locais. Podemos olhar para os banqueiros, que esqueceram as regras e se basearam em fundos de solidez duvidosa para aumentar os seus lucros. Ou podemos olhar, para os emprestadores americanos que aprovaram créditos a consumidores que não tinham condições para os pagar.. Para compreendermos o que sucedeu a Dennis e a outros, cuja prosperidade sofram um grande agravamento em 2008, temos de ver como funciona a economia global. O mundo está a ficar simultaneamente mais pequeno e mais complexo. Sete mil milhões de humanos, vivem e trabalham nesta Terra, e todos procuram os mesmos bens, que existem num número limitado, sejam eles comida, petróleo ou telemóveis. É um sistema cada vez mais interligado, no qual um banqueiro de Washington ou Berlim, pode fazer com que os pensionistas na Grécia passem fome, ou com que os jovens deixem as suas famílias para atravessar a Africa subsariana, à procura de vida melhor. Esta concentração do mundo ou globalização, surge muitas vezes como uma enorme força unipessoal, que não podemos escapar. Podemos pensar na globalização, como sendo o conjunto de todas as transações , interações, compras, e acordos que designamos por comércio. Ao longo do tempo, o fluxo de rendimentos gerado por estas relações de comércio é acumulado sob a forma de riqueza. A economia e as forças nela contidas, são representadas pelas ações de indivíduos- seja em Davos , ou num mercado de rua em Calcutá- de formas que não são necessariamente as que eles pretendiam. Contudo, uma coisa é certa: todos estamos submetidos a essas forças, e, sejamos ou não capazes de as controlar, é importante sabermos, como funcionam, e de que forma afetam as nossas vidas. Em Londres e Nova Iorque, em Paris e Milão, e até mesmo em Pequim, a semana da moda, representa um grande negocio, mas já não podemos falar de orçamentos de alta costura, para adquirirmos os mais atraentes modelos de roupa. Em poucas semanas, os mesmos desenhos vão surgir nas prateleiras de lojas locais, como da Primark, ou da Zara. Muitas roupas são feitas no Extremo Oriente. Quando compramos roupas em retalhistas como estes, não nos limitamos a abrandar a nossa necessidade de andar na moda. A transação faz de nós, parte de uma história global muito maior. Ao procurarmos preços baixos, e as últimas tendências, estamos a transferir rendimentos para o outro lado do mundo, para benefícios dos outros. Não há dúvida que os fabricantes de roupas se estão a aproveitar do trabalho barato na Ásia. Mas ao adquirirmos esses bens ,podemos ter contribuído para as forças, que deram origem a uma crise financeira no nosso país, prejudicando as nossas vidas. Como o constante fluxo internacional de pessoas, dinheiro ou ideias, pode ser difícil conseguir fazer sentido de como as coisas se ajustam. Imaginemos os milhares de transações que ocorrem a cada dia- uma dona de casa nos EUA ou na Nigéria a comprar mercearias, uma executiva francesa a depositar os seus ganhos num banco, um pai indiano a pagar o casamento da filha, ou um australiano a comprar cerveja num churrasco. Quando vamos às compras, se não estivermos nos EUA, o mais provável é que não estejamos a pagar em dólares. O dólar é o rosto do poderio dos EUA. O dólar é mais do que um símbolo de poder e influência: é também um dos mais confiáveis tesouros de valor em todo o mundo. Trabalhadores humanitários podem chegar à conclusão de que acionar com dólares, é a forma mais rápida de conseguir equipamento, para enfrentar uma crise humanitária em áreas de grande instabilidade. O dólar é o rosto da estabilidade financeira global; a fundação da nossa sobrevivência. É a linguagem financeira em que se baseiam as nossas vidas, sejam quais forem as notas e moedas que usamos todos os dias. Podemos ver o dólar como agente da globalização. A força do dólar baseia-se na confiança. Sem essa confiança, a sociedade entraria em colapso. Outras moedas, para além do dólar: euros, rúpias e libras; por exemplo vão entrar na história. Ao seguirmos o nosso dinheiro, à medida que que ele muda de mãos, seja física ou eletronicamente, podemos lançar alguma luz, sobre a sequência de transações que marcam todos os aspetos do nosso mundo., quem detém o poder e de que forma isso nos afeta a todos. Como consegue a China produzir bens de baixo custo, e quem beneficia desse facto? Onde é que a China acumula o seu dinheiro? Por vezes nos mais prováveis dos sítios, incluindo na Nigéria. Na Nigéria poderemos assistir à forma como a riqueza do mundo pode passar por alguns países, sem beneficiar a maior parte dos seus habitantes. A Índia é de entre todas as grandes economias, a que apresenta mais rápido crescimento. O petróleo é crucial para a nossa sobrevivência e para a supremacia do dólar. Da Rússia, dirigimo-nos a Berlim no coração da União Europeia. O que faz uma união monetária funcionar? Porque é que o euro não se sobrepõe ao dólar? Terá o Reino Unido razão para voltar as costas à União Europeia? Porque é que estamos na maior crise de sempre?. O dólar cumpriu uma viagem que revela como funciona realmente a economia global. Adam Smith investigou o fabrico de um alfinete, num processo que envolvia dezoito fazes diferentes. Defendeu a ideia de que, se um único trabalhador tivesse de ciar um alfinete do princípio ao fim, não conseguiria produzir muitos exemplares. Contudo, atribui cada fase a um trabalhador especializado diferente, tornava o processo mais eficiente. Podiam ser fabricados muitos mais, e portanto ganhar mais. Se fossem feitos muitos mais, do que os necessários para abastecer o mercado local, o excesso podia ser tocado por outros bens. Assim nasceu a teoria da especialização. Como é que isto explica aquilo que um determinado país escolha para se especializar, e até que ponto se envolve em trocas comerciais. O trabalho de Smith e de um dos seus seguidores David Ricardo, examinou em detalhe estas questões. Tudo se resume a isto: um país que realiza trocas de forma a obter produtos que pode conseguir noutro país, de forma mais barata, tem melhores resultados, do que se tiver produzido esses bens por si mesmo. Deve produzir os bens, em relação aos quais detém "uma vantagem absoluta". Se consegue produzir de tudo de forma mais eficiente, pode ainda assim beneficiar -se, se se concentrar nos bens em que é relativamente melhor, ou seja, em que detém uma vantagem comparativa, Tudo depende do custo de produzir uma coisa, num dado local. O que é que influencia esse custo? Existem inúmeros fatores em jogo; a disponibilidade de recursos naturais, o clima, o território, a força laboral, os salários, as rendas, os regulamentos, as competências, a maquinaria e os transporte. A especialização e o comércio livre, querem dizer mais bens e menores custos. Estes baixos custos, traduzem-se m preços de venda mais baratos. Preços mais baixos, traduzem-se num custo de vida inferior. Uma vez que a inflação é igual ao ritmo de subida do custo de vida, também ela é menor. Manter a inflação sob controlo, e assegurar a estabilidade económica e financeira, é a tarefa principal dos bancos centrais, que são responsáveis pela gestão do capital disponível, pelas taxas de juro e, portanto pela economia global dos seus respetivos países. Em teoria, a globalização e comércio livre, são do interesse dos consumidores e dos países, no seu conjunto. O que é bom para o mundo no seu todo, não é necessariamente bom para a economia local. Para termos um exemplo claro das barreiras do comércio, vejamos o que se passou com a Grande Depressão americana. Nos últimos anos 20 do século passado, a economia tinha tido um crescimento espetacular: os gastos, a produção e o investimento, no mercado bolsista, cresceram demasiado e muito depressa. No crash bolsista de 1929, as ações de Wall Street, perderam 1/3 do seu valor numa semana, afastando a confiança do consumidor, a riqueza e o consumo. As empresas despediram milhares de trabalhadores. O que devia ter sido uma curta recessão, uma alteração das fortunas da economia, foi acentuado, quando as autoridades não responderam imediatamente com a injeção de dinheiro, para segurar o sistema financeiro. O legado da crise financeira inclui mais regulação, e mais desigualdade. Os ganhos do QE, não beneficiaram o conjunto da população. Foi a dependência de dinheiro fácil e barato, que criou o caos. A bolha de crédito rebentou, mas os governos não puderam permitir que ela voltasse a aumentar. Uma década depois da crise, as cicatrizes são bem evidentes. O nível de vida das famílias atingiu novos recordes. Por toda a América, surgiram inúmeras formas de crédito sem garantias . As baixas taxas de juro, usadas para remediar a ressaca da crise levaram a mais do mesmo. No início de 2018, as taxas de juro permaneciam abaixo dos 2 por cento, muito abaixo dos níveis de antes da crise. Mas estão a subir.. As alterações nos gastos dos consumidores americanos ecoam por todo o mundo, e têm impactos nos lucros e rendimentos através da presença de dólares no comercio global. Para lá de uma grande crise temos de continuar a produzir se queremos melhorar as nossas vidas e manter a economia em boas condições, para consegui concretizar a magia da produtividade e alcançar um melhor nível de vida no futuro. A dependência que os consumidores têm do crédito, não é novidade para os bancos centrais. É por isso que se apoiam na política monetária. Mas esse comportamentos dos consumidores tem de ser compreendido em todos os detalhes de forma a saber que alterações são necessárias para se manter a economia no estado que se deseja. Os economistas também reconhecem que os hábitos dos consumidores americanos representam um sexto do PIB mundial, é mais um tsunami. circular. É uma onda feita de dólares, que avança em torno do globo, passando do consumidor ao produtor, e volta ao início.. Hoje em dia, muitos consumidores do Ocidente pedem crédito para gastar, e muitas vezes aquilo em que usam o dinheiro são importações baratas. O crédito barato, é financiado, em parte, pelo dinheiro que a China e outros emprestam aos EUA.. Toda a gente empresta na crença de que as coisas vão sempre continuar a melhorar, que os lucros vão sempre crescer, que a produtividade vai continuar a funcionar. Por agora, a história, o comércio, a politica e um sistema financeiro fortemente enraizado garantem que é o dólar que domina, estejamos onde estivermos no mundo.
quinta-feira, 11 de junho de 2020
A CRISE ATUAL
Ricardo Paes Mamede, concorda que "não existe uma sobreposição perfeita entre trabalhadores dos setores mais afetados e o da construção" mas" há uma sobreposição parcial". Pela inevitável intensidade da mão de obra, é inevitável a construção ser ativada. E, apesar de talvez pensarmos automaticamente em betão, há opções mais sofisticadas. É fundamental que as apostas feitas, sejam no sentido de uma alteração estrutural, mais eficiência energética, transição digital e investimento na infraestrutura digital.
É pouco realista, pensar que as iniciativas do Governo são capazes de reduzir a totalidade do choque económico provocado pela Covid.-19, principalmente em setores mais expostos ao turismo, o qual continuará a sofrer com as limitações de movimento. É também pouco realista, esperar que as dificuldades dos restaurantes durem meia dúzia de meses, e, o mesmo para hotéis e algum comércio. A má notícia, é que o turismo, tem sido a principal força detrás do crescimento português nos últimos anos.
O problema é que essa abertura não está nas mãos de ninguém. Pode-se ligar o tal interruptor, mas lâmpadas só acendem quando querem, e, alguns fusíveis poderão estar queimados. Ora, é tão importante autorizar os restaurantes a abrirem, como é, as pessoas terem confiança para voltarem a um. Os nossos comportamentos estão diferentes e estamos a regressar à normalidade possível.
Restaurantes e hotéis continuam vazios pois do ponto de vista da saúde pública, corremos sérios riscos. É preciso abrir sem medo, com confiança. Mas essa confiança constrói-se, certificando-nos de que os passos que agora damos são seguros, e, que nos permitem avaliar que a reposição da nossa vida coletiva se faz com o controlo da doença.
Além das prioridades económicas estratégicas de longo prazo, nos primeiros tempos de relançamento, poderão ser direcionadas ajudas, para os setores mais afetados ,de forma a incentivar a confiança e proteger, na medida do possível, empregos e empresas.
Com receio de uma repetição do filme da crise anterior, esse endividamento atua como um limite de velocidade na ambição de medidas orçamentais do Governo para lidar com a Covid. O complicado não parece ser delinear o plano de relançamento, mas sim, financiá-lo.
O nível de agressividade dessa intervenção estará muto dependente daquilo que acontecer na União Europeia. Um dos motivos para ainda não sabermos muito sobre os planos do Governo para a reabertura da Economia, é a indefinição na frente comunitária.
Embora já tenham presenciado a atuação rápida e significativa do BCE, a criação de um seguro de saúde de apoio ao emprego e a regulamentação do acesso a fundos do Mecanismo Europeu de Estabilidade, os Estados-membros, estão nesta altura a negociar um fundo de recuperação que servirá para estimular uma retoma simétrica que consiga igualar os pontos de partida, com que os diferentes países iniciam o esforço de recuperação. Os líderes das maiores economias do euro, dão sinais de quererem evitar uma nova crise existencial na UE, que facilmente se tornaria combustível para populismos e aumentaria o risco de desintegração.
Numa estratégia de relançamento, o Estado tem de se preparar para uma onda gigante de reorganização e de liquidações de empresas que se aproxima rapidamente.
A rapidez e a eficiência em resolver esses processos, serão essenciais na recuperação da economia e na realocação de recursos e de capital humano aos setores com oportunidades de crescimento. A destruição provocada pela pandemia, foi brusca, e há empresas que não conseguem evitar a tal queda no precipício.
A missão é fazer com que a economia não siga pelo mesmo caminho. A tarefa não é fácil, porque há motores que não respondem, e, muito provavelmente, não será tão cedo que conseguiremos regressar à velocidade de cruzeiro.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
QUE FUTURO TEM O FUTURO?
Hoje já é possível diversificar e aumentar as fontes de energia limpa, permitindo aos cidadãos viver de uma forma elaboradamente mais simples, sustentável e mais justa.
Se isso acontecer, assistiremos num futuro relativamente próximo, a mudanças visíveis a vários níveis das nossas vidas. Desde logo, nos sistemas de mobilidade com a sua eletrificação pública e privada, incluindo os pesados de mercadorias e navios, os que, ao contrário da aviação, se encontram já em processo de transição energética. Além disto, em áreas crescentes e, em número cada vez maior de habitantes ou comunidades residenciais, a gestão da energia limpa- integrando produção e consumo em redes inteligentes- vai tornar-se frequente, pois a lei já o permite e muitas autarquias o irão adotar . Portugal, sendo o país europeu com maior úmero de horas solares por ano, irá asim deixar de ser um dos países onde as populações menos usufruem de painéis solares térmicos e fotovoltaicos, como agora acontece.
terça-feira, 19 de maio de 2020
A ERA DA DESGLOBALIZAÇÃO
A China e outros países asiáticos tornaram-se numa espécie de loja do mundo. Numa situação de crise, em que fiquem paralisadas algumas regiões asiáticas ou os transportes de mercadorias, basta faltar essa peça na engrenagem para muitas empresas pararem.
Aliás, ainda antes de a pandemia chegar à Europa, já não havia uma preocupação, em relação ao impacto que o confinamento na China iria criar no comércio e na economia internacional. "Se determinado componente é produzido num país e se esse estiver numa crise, toda a cadeia para e isso levará as empresas a regressarem a cadeias de valor regionais"
Além da questão das cadeias de valor, a Europa e também os EUA, tornaram-se dependentes da China, para conseguirem ter acesso a bens essenciais.
O exemplo mais extremo é a corrida que existe entre os países ocidentais para convencerem fornecedores chineses a venderem -lhes material e equipamentos médicos essenciais no combate à pandemia. Agora, a regra para grande parte dos países ocidentais poderá passar a trazer mais atividade industrial para dentro de portas, "especialmente em áreas críticas e essenciais, como as farmacêuticas, defesa, infraestruturas de saúde e tecnologia"sublinha Robin Parbrook, gestor da Schroderes, numa nota aos investidores.
quinta-feira, 28 de junho de 2018
A NOVA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
De capitais públicos ou privados, nenhuma organização escapará às exigências deste novo paradigma digital que as obriga a serem adaptáveis, móveis, seguras e escaláveis.
Novas oportunidades de negócio e mudanças estratégicas, potenciadas pelas novas tecnologias, estão a ser exigidas às organizações, num curto espaço de tempo.
As empresas têm de continuar a procurar uma maior eficiência do negócio e a optimização das suas operações. Estas empresas têm que olhar para o futuro, para a inovação e para a forma como podem tirar partido das tecnologias para se manterem competitivas e, inclusivamente, superar a concorrência. Aqui entra o conceito de cocriação digital, ou seja: o desenvolvimento de produtos e/ou serviços através da conjugação de diferentes áreas de especialização, que, por vezes, não estão relacionadas para acelerar a transformação digital das empresas.
Estes desafios, não podem ser superados apenas com o conhecimento detido dentro de cada organização.
As empresas têm que procurar parceiros que conheçam o negócio, a sua operação, e, que dominem tecnologias como a inteligência artificial, a internet das coisas, o big data ou o machine learning, para que em conjunto,potenciem a inegração dessas inovações nas suas empresas.
É de acreditar que a cocriação é a chave para o sucesso, quaisquer que sejam os seus desafios digitais.
Esta abordagem tecnológica, junta vários parceiros num ecossistema único que combina competências, tecnologias e expertise, tudo desenhado na base das suas necessidades.
A cocriação assume uma grande relevância com o aparecimento de novas tecnologias que geram novas oportunidades de negócio e grandes mudanças nos processos de trabalho das organizações.
A digitalização e tratamento de dados, em tempo real, transformando-os em informação de valor para os gestores, ou a capacidade de utilizar inteligência artificial para automatizar prcesssos que asseguram uma melhoria contínua da operação, são exemplos de trunfos tecnológicos, que as empresas não podem negligenciar. Independentemente do setor, dimensão ou localização geográfica, todas as empresas podem beneficiar com a aposta na cocriação digital.
Portugal não é exceção, com cerca de 87% das organizações empresariais comprometidas a transformação digital, segundo revelam dados de 2016 da IDC.
As empresas portuguesas estão conscientes que, para integrar todas estas tecnologias e responder rapidamente aos desafios que o mercado e os seus clientes lhes lançam, têm de ser extremamente àgeis e contar com um parceiro que as ajude a cocriar as mudanças necessárias nas organizações.
Os 3D da energia: Digitalizar. Descentralizar, Descarbonizar:
Energia, energia, para que te queremos? Para muita coisa obviamente, e de preferência barata, eficiente e amiga do ambiente. É rumo a esse horizonte que as mudanças verificadas apontam. Cada vez mais as grandes companhias energéticas dão atenção à inovação. como forma de atingir estes objetivos, com um acréscimo de sinergias com as starups, que têm sido parte importante deste processo.
O projeto de empreendedorismo, mais uma vez volta a apostar em projetos, que vão de encontro à inovação, no campo da energia e às grandes tendências do setor. São os "três D" que estão a moldar um futuro bem presente, a saber:"descarbonização, descentralização e digitalização. Por descarbonização, entenda-se a utilização crescente de fontes de energia renovável, na geração elétrica, em combinação com uma maior eficiência energética de consumo, processo que já se verifica há algumas décadas, mas que tem ganho cada vez mais força com o desenvolvimento das renováveis e consequente diminuição dos custos de utilização. Energias como a hídrica ou a eólica já são muito generalizadas em Portugal, ao contrário do solar, por exemplo que não chega aos 2% de produção. Por isso, perspetiva-se um crescimento, sobretudo, se o objetivo ambicioso de 2040, tiver 100% da energia gerada num ano de origem renovável e se for para cumprir. O que não é de todo descabido, quando se percebe que a utilização elétrica, mais do que duplicou.. A crescente facilidade em obter painéis solares para uso doméstico, ou as baterias e carregadores de carros elétricos, são alguns dos exemplos da descentralização, isto é: do processo de dar mais ferramentas ao consumidor, no sentido de este se tornar mais um elemento produtivo da cadeia.
Por outro lado, vivemos uma digitalização crescente, num processo a que a energia não é de todo alheia. A emergência de tecnologias, como a internet das coisas, inteligência artificial, machine learning, entre outras, combinada com a disseminação de aparelhos a que todos acedemos e com que todos comunicamos, está a provocar uma disrupção.Três D funcionam como os pilares de um processo que resultam em benefícios, sendo muito melhor para todos, contribuindo assim, para a melhoria do ambiente, com bons sinais do futuro para uma sociedade mais eficiente.