terça-feira, 24 de abril de 2018

MELHORAR O CRESCIMENTO

O bom desempenho da economia portuguesa nos anos mais recentes, deve mais á iniciativa privada do que às políticas públicas. Foi o turismo e o comércio externos que fizeram aumentar o PIB e permitiram a forte recuperação do mercado de trabalho. Para o futuro, o FMI continua a antecipar uma progressão rápida do emprego, maior do que o previsto pelo próprio Governo. É verdade que o emprego é um importante fator de realização pessoal e estabilidade social, mas não posso deixar de concordar com alguns economistas, quando dizem que os resultados recentes do país não são motivo de satisfação. O crescimento do emprego acima do PIB, com a redução do rendimento per capita, sinaliza apenas que estamos a ficar mais pobres, isto é: a trabalhar mais e a ganhar menos!
 Se os recursos humanos são excelentes, isto dá que pensar!
 Por que razão continuamos a ser coletivamente incapazes de aumentar a produtividade, e, remunerar os trabalhadores em consonância?
 Pede-se ao Governo, não a criação de postos de trabalho, mas antes a configuração de um quadro de incentivos propícios ao aumento da produtividade, para que estes criem e distribuam riqueza pelos trabalhadores. Sabemos, pela experiência recente que as empresas e os empresários respondem bem a estímulos. Veja-se a resiliência e a resposta que deram à crise. A julgar pelos resultados, os incentivos parecem continuar fora de sítio;maioritariamente, os empregos criados durante o último ano, são precários, em setores de baixo valor acrescentado, intensivos em mão-de-obra como o turismo, e, fortemente expostos aos humanos da conjuntura internacional. Pelo risco que o tecido produtivo comporta, o crescimento projetado pelo FMI é até muito modesto. Continua a ser superado pela maioria das economias europeias e insuficiente para reduzir o hiato que nos separa da Europa desenvolvida.
 Quando vamos ter melhor crescimento?
Boas notícias até 2020? Recentemente, no World Economic Outlook ( WEO),  FMI, estimou um crescimento do PIB nacional em 2,4% para 2018, acima da previsão do Governo que é de 2,3%, de acordo com o Programa de Estabilidade e Crescimento 2018/2022. EM termos de tendência, nesse mesmo documento, o Governo estima um crescimento constante anual de 2,3% até 2020, abrandando o ritmo para 2,2% e 2,1% em 2021 e 2022. O FMI, por sua vez, anuncia um abrandamento da economia portuguesa já a partir de 2019, crescendo abaixo dos 2%. A economia é uma ciência social cada vez menos previsível, pois grande parte das variáveis que influenciam o crescimento económico dificilmente são mate -matizáveis, como o progresso tecnológico, a cultura, a legislação, a decisão política ou a moda e os gostos dos consumidores. A este problema acresce o facto de o mundo estar em vias de um maior e acelerado ritmo de mudança dos seus sistemas sociais e económicos.
Ainda assim, são boas notícias, os valores previsíveis de crescimento económico ameaçados pelo Governo ou pelo FMI, e como muitas decisões económicas dos diversos agentes, baseados em expetativas.
A maior divergência de previsões é relativamente ao saldo da balança corrente em que o FMI estima um superavit de 0,2% do PIB em 2018 e um défice de 0,1% do PIB em 2019. Também a nível do desemprego  em Portugal, o FMI estima que se situe nos 6,7% em 2019 e 7,3% até ao final de 2018. Para 2020 6,8%, 2021 6,5% e 2022 6,3%.
A conjuntura é favorável no médio prazo e será uma boa altura para continuar a controlar a inflação e proceder a adaptações estruturais.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A DESIGUALDADE ATRASA A RECUPERAÇÃO?

Com a desigualdade a atingir os níveis mais elevados desde o período da Grande Depressão, será difícil obter uma recuperação sólida a curto prazo. Os políticos costumam falar sobre o agravamento da desigualdade e a lenta retoma, como dois fenómenos independentes, quando na realidade estão interligados. A desigualdade asfixia, restringe e trava o crescimento. Há quatro razões principais que levam a desigualdade a asfixiar a nossa recuperação:
1- A primeira, prende-se com o facto da nossa classe média estar demasiado enfraquecida, para contribuir para o consumo, que , em termos históricos, sempre impulsionou o crescimento económico. Embora o 1 por cento do topo da tabela, tivesse arrecadado 93 por cento do aumento dos rendimentos, em 2010, os agregados familiares do meio da tabela,mais propensos a gastarem os seus rendimentos disponíveis, sendo, num certo sentido, os verdadeiros criadores de emprego, obtiveram rendimentos, ajustados à inflação mais baixos do que em 1996. O crescimento obtido na década anterior à crise era insustentável, já que dependia de um crescimento de 110 por cento dos rendimentos dos 80 por cento da base da tabela. Em segundo lugar, o desaparecimento da classe média, desde a década de 70, significou que muitas destas pessoas ficaram impossibilitadas de investir no futuro, não podendo apostar na sua educação e na dos seus filhos, não podendo abrir empresas, ou desenvolver as já existentes. Em terceiro lugar, o enfraquecimento do poder de compra da classe média, está a pesar sobre as receitas fiscais, sobretudo, porque se situam no topo da pirâmide social, continuando a ser bastante astutos na fuga aos impostos e na pressão sobre Washington para obter isenções fiscais . Além disso, os lucros resultantes da especulação de Wall  Street são tributados a uma taxa muito inferior à de outros tipos de rendimento. Obter poucas receitas fiscais, significa que o governo federal não pode fazer os investimentos em infraestruturas, educação, investigação e saúde indispensáveis, para restabelecer o poder económico, a longo prazo. Em quarto lugar, a desigualdade está ligada a ciclos de prosperidade e depressão mais frequentes e rigorosos, tornando a nossa economia mais volátil e vulnerável.
A nossa desigualdade galopante aumenta a probabilidade de os filhos de pais com poucos recursos, nunca conseguirem concretizar as suas expetativas de vida. Mais de um quinto das nossas crianças vive na pobreza, e, a nossa sociedade está a desperdiçar os seus recursos mais valiosos:os jovens.
O sonho de uma vida melhor, que atraiu os imigrantes ao nosso continente está a ser destruído por um fosso de rendimento e riqueza cada vez maior.
Há muitas teorias para explicar a desigualdade. Alguns dizem que a desigualdade está além do nosso controlo, e , apontam para as forças de mercado como, a globalização, a liberalização do comércio, a redução tecnológica e a ascensão do resto do mundo. Outros afirmam que, combater a desigualdade, pioraria a situação, pois asfixiaria o nosso já de si, fraco poder económico. Estas afirmações são falsas.
As forças de mercado não existem no vazio, somos nós que as moldamos. Alguns países como o Brasil, cujo ritmo de crescimento tem sido acelerado, moldaram-nas segundo configurações que reduziram a desigualdade e, simultaneamente, criaram mais igualdade de oportunidades e um maior crescimento. Muitos países, bem mais pobres, do que os nossos, decidiram que todos os jovens deveriam ter acesso à educação, aos cuidados de saúde, de modo a poderem concretizar os seus desejos. Não há dúvida, que o mercado valoriza mais umas competências do que outras, e quem as tiver, será beneficiado. Sim, a globalização e os avanços tecnológicos, conduziram à perda de bons empregos no setor da indústria, sendo muito pouco provável que este setor seja recuperado. O emprego está a diminuir a nível mundial, simplesmente como consequência dos enormes aumentos de produtividade, e é provável que os Estados Unidos venham a obter uma fatia cada vez menor desse número decrescente de novos empregos. Se os conseguirmos "salvar", talvez seja apenas da conversão dos empregos com salários mais elevados, em empregos, mais mal remunerados, o que dificilmente se poderá considerar uma estratégia a longo prazo. A globalização, assim como a forma desequilibrada como tem sido seguida, retirou o poder negocial aos trabalhadores, as empresas podem avançar com a deslocação para outros países, sobretudo, quando a legislação fiscal é favorável aos investimentos internacionais.
Este facto, por sua vez, enfraqueceu os sindicatos, e, muito embora, as estruturas sindicais tenham sido, em algumas circunstâncias, uma fonte de intransigência, os países que responderam com maior eficácia à crise mundial, como a Alemanha e a Suécia, possuem sindicatos fortes e poderosos sistemas de proteção social. O nosso país não conseguirá recuperar de forma rápida e eficaz, sem políticas orientadas diretamente para a desigualdade.É necessária uma resposta abrangente que contemple,pelo menos, investimentos significativos no sistema educativo, um sistema fiscal mais progressivo e um imposto sobre especulação financeira.
A boa notícia é a atual redefinição do nosso modo de pensar: até há pouco tempo, costumávamos perguntar de que parcela de crescimento estaríamos dispostos a abdicar, em benefício de um pouco mais de igualdade de oportunidades; entretanto, ganhamos consciência do elevado preço a pagar pela desigualdade, percebendo que aliviar os seus sintomas, e fomentar o crescimento, são duas metas intimamente relacionadas e complementares. Temos todos de nos defender com coragem e clarividêcia para curar essa doença ameaçadora.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

ELIMINAR A DESIGUALDADE EXTREMA

Na cimeira do Milénio das Nações Unidas, em Setembro de 2000, os Estados-membros desta organização deram um extraordinário passo em frente, ao colocarem as pessoas e não os países no centro das suas preocupações. Na sua Declaração do Milénio, os líderes mundiais ali reunidos, concordaram com uma série dos objetivos gerais bastante ambiciosos que incluíam a paz através do desenvolvimento, o ambiente, os direitos humanos, a proteção dos favorecidos, as necessidades especiais de África e as reformas das instalações da ONU.
Os oito objetivos do Desenvolvimento do Milénio concretizados em 2015 são:
1. Erradicar a pobreza extrema e a fome;
. Reduzir para metade o número de pessoas cujo rendimento é inferior a um dólar por dia e a percentagem da população que padece de fome.
2. Alcançar o ensino primário universal;
. Garantir que todos os jovens terminem o ciclo completo do ensino primário
3. Promover a igualdade de género e a automatização da mulher;
. Eliminar as disparidades de género no ensino primário e secundário a todos os níveis
4. Reduzir a mortalidade infantil;
.Reduzir em dois terços a taxa de mortalidade de menores de cinco anos
5. Melhorar a saúde materna;
. Reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna
6. Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças;
.Deter e reduzir a propagação de doenças graves
7. Garantir a sustentabilidade ambiental;
. Integrar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas e programas nacionais e inverter a atual tendência para a perda de recursos ambientais
. Reduzir para metade a percentagem da população sem acesso a água potável
. Melhorar consideravelmente a vida de pelo menos cinco mil habitantes de bairros degradados até 2020.
8. Criar uma parceria mundial para o desenvolvimento;
. Continuar a desenvolver um sistema comercial e financeiro multilateral aberto, baseado em regras, previsível e não discriminatório, estabelecendo um compromisso em relação a uma boa governação, ao desenvolvimento e à redução da pobreza, tanto a nível nacional como internacional
. Satisfazer as necessidades especiais dos países menos avançados
. Satisfazer as necessidades especiais dos países em desenvolvimento, sem litoral e dos pequenos estados insulares.
. Tratar de um modo global os problemas da dívida dos países em desenvolvimento
. Criar empregos decentes e produtivos para os jovens
.Proporcionar acesso a medicamentos essenciais a preços confortáveis, nos países em desemvolvimento
. Em cooperação com o setor privado, tornar acessíveis os benefícios das novas tecnologias, em particular as tecnologias da informação e comunicação.
Como afirmou Kofi Annan, secretário geral da ONU, os  ODM, constituíram um esforço extraordinário de coordenação internacional. Permitiram estabelecer uma plataforma comum  entre agências de desenvolvimento competitivas, inspiraram ações concertadas por parte das organizações internacionais e governos nacionais e oferecerem uma oportunidade aos cidadãos, para insistirem na tónica de que os seus governos se deveriam centrar contra os povos que diziam representar.
Mais  tarde constata-se que o historial dos ODM é desigual. Alguns objetivos, como a redução da pobreza extrema, foram cumpridos, a nível global, mas nenhum deles foi cumprido, em todos os países. Quanto aos outros objetivos, como o acesso universal à educação primária, não foram atingidos. Embora o cumprimento destes objetivos tivesse constituído um feito impressionante, nem mesmo considerados em conjunto, e, globalmente, eles representam uma visão completa ou exaustiva do desenvolvimento humano. Aos Estados-membros faltava-lhes em particular, uma visão de desenvolvimento equitativo. Num momento em que a comunidade internacional pondera no conjunto de objetivos que sucedem aos ODM, é tempo de enfrentar essas limitações, adicionando aos oito objetivos originais o de "eliminar a desigualdade extrema".
Porque razão as desigualdades são importantes?
As diferenças significativas na natureza da desigualdade entre países revelam que esta dimensão não é apenas determinada por forças económicas, mas também por forças políticas.
O objetivo não é a igualdade plena. Algumas desigualdades económicas, poderão ser propícias ao crescimento económico, enquanto outras, talvez não necessitem de ser abordadas, na medida em que tal, implicaria infringir certas liberdades estimadas. Embora, o ponto exato em que as desigualdades se tornam prejudiciais, possa divergir de país para país, quando elas se se tornam extremas, manifestam-se em consequências sociais, económicas e políticas nocivas.
As desigualdades extremas tendem a travar o crescimento económico e a reduzir quer a igualdade política, quer a estabilidade social.
Além disso, como as desigualdades têm efeitos económicos, sociais e políticos cumulativos, cada um destes "fatores" quer atenção individual e concertada.
Quais os argumentos económicos?
As desigualdades de rendimento e de património têm efeitos económicos perniciosos.
O crescimento destas desigualdades com excessiva distribuição de rendimentos, pelos escalões superiores, enfraquece a procura agregada, podendo abrandar o crescimento económico.
A tentativa, por parte das autoridades monetárias, de contrabalançar estes efeitos, pode contribuir para a criação de bolhas de crédito, que por sua vez,conduzem à estabilidade económica.
Uma parte sustentável da desigualdade em todo o mundo, está ligada à procura de maximização de rendas, através do exercício de monopólio, algo que prejudica claramente a eficiência económica.
Ainda assim, a pior dimensão da desigualdade seja a de oportunidades, simultaneamente causa e consequência da desigualdade de resultados, gerando insuficiências económicas e desenvolvimento reduzido, na medida em que grande parte da população não consegue viver de acordo com o seu património. Os países com elevados níveis de desigualdade tendem a investir menos em bens públicos, como as infraestruturas, a tecnologia e a educação, todos eles fatores responsáveis pela riqueza e crescimento a longo prazo. Por outro lado, a redução da desigualdade traz sem dúvida, benefícios económicos e sociais; fortalece a sensação de que a sociedade é justa; melhora a coesão social e a mobilidade, tornando mais provável que um maior número de cidadãos, consiga viver de acordo com o seu potencial, e, amplia o apoio às iniciativas de crescimento. É de salientar que as políticas que apontam ao crescimento, mas ignoram a desigualdade, através, por exemplo de estímulos ao emprego e à educação têm efeitos benéficos sobre o capital humano, de que as economias modernas, cada vez mais necessitam.
Quais os argumentos políticos?
Referi que as desigualdades extremas prejudicam a estabilidade, não só económica mas política e social.
Contudo, não há uma relação causal simples entre a desigualdade económica e a estabilidade social que possa ser medida, por exemplo, com base nos crimes cometidos ou na violência civil. Nenhuma forma de violência se correlaciona com o coeficiente de Gini ou com o índice de Palma(a parcela do Rendimento Nacional Bruto de 10% da população mais rica dividida pela parcela do RNB dos 40por cento da população mais pobre. Existem, porém elos evidentes entre a violência e as "as desigualdades horizontais" que combinam a estratificação económica com o contexto cultural, a etnia, a religião ou a região.  Quando os pobres são de um certo contexto cultural, etnia ou região, e os ricos são de outro, daí surgir frequentemente uma dinâmica desestabilizadora.
Quer os grupos étnicos relativamente ricos, quer os relativamente pobres, têm uma maior probabilidade de viverem uma guerra civil. Ao demonstrarem que não estão apenas em jogo fatores etnográficos, revelaram ainda, que,quanto mais rico, ou mais pobre, for o grupo etnográfico, maior será a probabilidade de este evitar uma guerra civil com outros grupos etnográficos.
Como já foi referido anteriormente, uma das novas formas de desigualdade é a de oportunidades, refletida na falta de mobilidade socioeconomica, que condena todos os que nascem na parte inferior da pirâmide económica. Na prática, o facto de quem nasce na parte inferior da pirâmide económica , estar condenado a nunca materializar economicamente o seu potencial, reforça a correlação entre a desigualdade e um crescimento económico, a longo prazo, mais lento. Assim, a relação entre estas dimensões da desigualdade, sugere, que o foco em penas, uma delas, de cada vez, significa subestimar a verdadeira magnitude das desigualdades sociais e fornecer uma base inadequada para as decisões políticas. Por exemplo, a desigualdade na saúde é simultaneamente causa e consequência da desigualdade de rendimentos. Por sua vez, as desigualdades educativas são uma das principais determinantes das desigualdades de rendimentos e de oportunidades. Além disso, quando existem padrões sociais nítidos, as consequências negativas para a sociedade aumentam. É de eliminar a desigualdade extrema em todos os países. Para isso é de propor as seguintes metas:
. Reduzir as desigualdades de rendimentos em todos os países até 2030, de forma que os rendimentos dos 10 por cento do topo, não superem s rendimentos dos 40por cento da base;
. Criar em todos os países, até 2020, uma comissão pública responsável para avaliar e informar sobre os efeitos das desigualdades nacionais. Todos os países deveriam concentrar-se nas suas desigualdades "extremas", ou seja, nas desigualdades mais danosas para o crescimento económico equitativo e sustentável e mais desfavoráveis para a estabilidade social e política. Um índice de Palma de 1 é um ideal alcançado apenas por alguns países. Neste sentido, a meta mais importante é a de um diálogo nacional até 2020, sobre o que deve ser feito, para enfrentar as desigualdades  mais recentes de cada país. Um diálogo deste tipo chamaria a atenção  para as políticas nacionais(por exemplo as deficiências no sistema educativo, no sistema legas de impostos e transferências; para as que distorcem a economia, e, simultaneamente geram instabilidade política e social.
Não há dúvida que a desigualdade representa uma ameaça para a erradicação da pobreza, o desenvolvimento sustentável, o processo democrático e a coesão social. Por isso o desenvolvimento sustentável não pode ser alcançado se ignorarmos estas disparidades, sendo imperativo que um dos pontos centrais da agenda pós - os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) seja o foco na desigualdade.



segunda-feira, 2 de abril de 2018

A DESIGUALDADE É UM FENÓMENO GLOBAL

A reunião anual do Fórum Económico Mundial, reservada em Davos,perdeu alguma forma que tinha antes da crise. Antes do colapso de 2008, a alta finança e a indústria, poderiam ostentar as virtudes da globalização, da tecnologia e da liberalização financeira que, supostamente trazem uma era de ilustre crescimento. Os benefícios seriam partilhados por todos, se fizessem" o que deviam fazer". Esses dias pertencem ao passado. É claro, que os países em desenvolvimento, e os mercados emergentes já não olham para os países desenvolvidos como dantes. O incumprimento das promessas de ajuda, o colonialismo, a escravatura, a divisão de pequenas nações em África e a longa história da exploração de recursos são assuntos de um passado remoto.
Uma das maiores preocupações dos líderes reunidos em Davos, foi o da desigualdade económica. Ninguém se atreveu a referir a noção de economia trickle-down (aumentar os rendimentos dos mais ricos, esperando que tal, venha mais tarde, a beneficiar a restante população). Ainda que a perceção de os Estados Unidos não serem a terra das oportunidades, outrora apregoada seja bastante desconcertante, tanto para os estrangeiros como para os norte-americanos, a desigualdade  de oportunidades à escala mundial é-o ainda mais.
Não podemos dizer, com justiça, que o mundo é "plano", quando um cidadão africano comum recebe algumas centenas de dólares como investimento no seu capital humano e, ao mesmo tempo, os cidadãos norte -americanos ricos recebem dos seus pais e da sociedade recompensas num valor superior a meio milhão de dólares. Um ponto alto da reunião de Davos foi o discurso de Christine Lagarde, a diretora do Fundo Monetário Internacional, que salientou as mudanças acentuadas na sua instituição nas altas esferas: a maior preocupação com os direitos das mulheres; a renovada ênfase na relação entre desigualdade e instabilidade; e o reconhecimento de que a negociação coletiva e o salário mínimo podem contribuir de forma ativa para a redução da desigualdade.
A Associated Press, organizou uma pertinente sessão sobre tecnologia e desemprego: podem os países, sobretudo os do mundo desenvolvido, criar postos de trabalho de qualidade, face a uma tecnologia moderna que tem substituído  os trabalhadores por robots e outras máquinas de tarefas rotineiras? De um modo geral, o setor privado europeu e norte-americano tem sido incapaz de criar muitos postos de trabalho de qualidade desde o início deste século. E, mesmo na China e noutras regiões do mundo, com setores transformadores em pleno desenvolvimento, a grande parcela do aumento na produção, obteve-se, devido a melhorias na produtividade frequentemente associadas a processos automatizados que destroem o emprego.Os que têm sofrido mais, são os jovens, cujas perspetivas de futuro são bastante afetadas pelos longos períodos de desemprego que hoje se verificam. As previsões do FMI, divulgadas durante o encontro de Davos enfatizam o quanto o mundo se tornou desigual: estima-se que o crescimento do PIB  nos países industrialmente avançados se situe nos 1,4% este ano, enquanto os países em desenvolvimento continuarão a crescer a uns robustos 5,5% ao ano.
Embora os líderes ocidentais tivessem falado sobre a possibilidade de dar um novo fôlego ao crescimento, e, ao emprego, não apresentaram nenhuma política correta.
Na Europa,o foco continuou a ser austeridade, com auto-congratulações sobre os progressos obtidos e com reafirmação de um rumo que até agora, levou toda a Europa a entrar em recessão e o Reino Unido a três períodos de abrandamento. Talvez a nota mais otimista tenha vindo dos mercados emergentes, embora o risco da globalização seja o de implicar uma nova interdependência, com o perigo de algumas más políticas económicas nos Estados Unidos e na Europa poderem causar grandes danos às economias em desenvolvimento. Os mercados emergentes mais bem-sucedidos conseguiram gerir a globalização, de modo a manter mais crescimento sustentável, mesmo quando confrontado com o fracasso do Ocidente.  A Europa focada em assegurar o projeto europeu e a  falta de liderança global, foi um dos motivos de preocupação e liderança de Davos.
Nos últimos 25 anos, passámos de um mundo dominado por duas super potências para um outro dominado, apenas por uma, e agora, num mundo multipolar. Temos de aprender a viver e a prosperar neste novo mundo.

sábado, 31 de março de 2018

COMO SAIR DA CRISE FINANCEIRA?

Neste momento, enfrentamos  um problema de liquidez, um problema de solvência e um problema macroeconómico. Encontramo- nos numa primeira fase , numa espiral descendente, pelo que faz parte do inevitável processo de ajustamento: fazer os preços das casas a regressar a níveis equilibrados e eliminar o excesso de dívida que a nossa economia mantém. Mesmo com o novo capital disponibilizado pelo governo federal, os bancos não conseguirão, emprestar tanto quanto no seu passado. Os proprietários das casas não desejarão endividar-se da mesma maneira. As poupanças, que têm sido quase inexistentes, começarão a aumentar, algo que é bom para a economia a longo prazo, mas é mau para uma economia em recessão. Embora algumas das grandes empresas, possam na verdade, ter bastante dinheiro, muitas das pequenas empresas dependem do crédito, não só para efetuarem investimentos, mas também para fazerem face aos custos operativos. Este aspeto será mais dificil de solucionar. E o investimento em imóveis, fator preponderante para o nosso modelo de crescimento nos últimos seis anos, caiu +para níveis que não se registaram desde há vinte anos.
Pode-se apontar uma estratégia geral em cinco pontos:
1- Recapitalizar os bancos- com todas as perdas, os bancos ficaram sem capital suficiente e vai-lhes ser difícil conseguir capital, nas circunstâncias atuais. Neste sentido, o governo federal deve disponibilizar-lhes o capital necessário, a troco de participações com direito a voto. Mas as injeções de capital também resgatam os obrigacionistas. Atualmente o mercado não tem em conta as obrigações, dizendo que existe uma grande probabilidade de incumprimento. Terá por isso, de existir uma conversão forçada dessa dívida em capital. Assim, reduzir-se-á bastante o volume de ajuda necessária por parte do governo federal. Os economistas dizem que é preciso recapitalizar os bancos e disponibilizar dinheiro novo para compensar as perdas resultantes dos maus empréstimos.
Mas há questões relacionadas com este processo:a primeira é a de saber se a decisão é justa para os contribuintes; a resposta parece ser relativamente óbvia; os contribuintes sairiam a perder.
A segunda é a de tentar perceber se existe supervisão e restrições suficientes para evitar o regresso das más políticas do passado e garantir a concessão de novos empréstimos. Ao compararmos os termos exigidos pelo Reino Unido e os exigidos pelos Estados Unidos, saímos mais uma vez a perder.
A título de exemplo, nada impede os bancos de continuarem a fazer grandes pagamentos aos acionistas, à medida que vão recebendo dinheiro público.
A terceira questão é a de saber se existe dinheiro suficiente. Os bancos são tão pouco transparentes que ninguém consegue responder com segurança a esta questão, embora saibamos que a probabilidade de os bancos crescerem é grande.  E a razão para tal é o facto de não ter sido feito quase nada para resolver  problema de fundo.
2- Impedir a vaga de execuções hipotecárias- é necessário resolver o problema das execuções hipotecárias. É essencial ajudar as pessoas a conservarem as suas casas, transformando os juros das hipotecas e as deduções sobre  o imposto do património em créditos fiscais convertíveis em dinheiro, reformando a lei de falência para permitir a agilização das reestruturações, capazes de baixar o valor das hipotecas nos casos em que os preços das casas lhes são inferiores, e apontando, inclusive, na concessão de empréstimos públicos e transferindo essas poupanças para os pobres e paraos proprietários com rendimentos médios.
3.-Aprovar um pacote de estímulos eficaz-  por um lado é essencial aumentar os seguros contra o desemprego; por outro, se não ajudarmos os estados, eles terão de reduzir os gastos, face á diminuição das receitas fiscais, e essa redução conduzirá a uma contração económica.
No entanto, para verdadeiramente despertar a economia, Washington terá de investir no futuro.
O furacão Katrina e o colapso da ponte Mineápolis foram apenas dois avisos sinistros do quão descrépitas se tornaram as nossas infraestruturas.
Os investimentos em tecnologia e infraestruturas têm o potencial de estimular a economia a curto prazo e reforçar o crescimento a longo prazo
4-Recuperar a confiança através de reformas regulamentares-na origem dos problemas estão as más decisões dos bancos e as falhas na regulação. Há que saber abordá-las, se quisermos recuperar a confiança no nosso sistema financeiro. As estruturas do governo das sociedades que criaram estruturas de incentivos deformadas, concebidas para recompensar generosamente os diretores executivos das empresas, devem ser alteradas, tal como devem ser modificados muitos dos próprios sistemas de incentivos. Não se trata apenas do nível das recompensas, mas também da forma: as opções sobre ações sem transparência que oferecem incentivos para aumentar os rendimentos declarados, através da prática de uma contabilidade falsa.
5-Criar um organismo multilateral eficaz-como a economia mundial está cada vez mais interligada, é necessário desenvolvermos uma melhor supervisão mundial. é irreal pensarmos um mercado financeiro, A recente crise deu-nos um exemplo dos perigos: quando alguns governos estrangeiros começaram a oferecer garantias totais aos seus depósitos, o dinheiro começou a fluir na direção dos que pareciam ser paraísos fiscais.
Mesmo antes da crise se alastrar à escala global, Nicolas Sarkozy, sugeriu, no seu discurso na ONU, a realização de uma cimeira mundial para se lançarem as bases de uma maior regulação estatal que viesse a substituir a atual atitude conformista. Podemos estar perante um novo "momento Bretton Woods": quando o planeta saiu da Grande Depressão, e, da Segunda Guerra Mundial, houve a perceção de que era necessária uma nova ordem económica a nível mundial. É evidente que esta nova ordem  não serve para o novo mundo globalizado. É preciso construir uma nova ordem económica para o Século XXI, introduzindo um novo organismo regulador a nível mundial.
Qual o caminho a seguir?
Estou convicta de que um programa abrangente como os pontos referidos atrás, não só se restabelecerá a confiança, como o desenvolvimento.

segunda-feira, 19 de março de 2018

HÁ VIDA ALÉM DA BTCOIN

Imaginemos um país onde 99% dos serviços públicos estão disponíveis on line. Com um cartão chave  de identidade digital, pode-se aceder aos registos(médicos, judiciais, civis, e de segurança), a qualquer hora do dia, todos os dias da semana e em qualquer lugar. Nesse país não se precisa de andar com o cartão de cidadão ou outro documento, porque todos são digitalizados e guardados de forma segura num sistema descentralizado, podendo aceder-lhe quando e onde quisermos.
Em dia de eleições, consegue-se votar a partir de qualquer parte do mundo. Não se precisa de ir para as longas filas da loja do cidadão para obter ou atualizar o cartão, pois as assimetrias digitais são vinculativas. Se a polícia vir um condutor a conduzir na estrada e quiser saber se tem tudo em ordem,não precisa de o mandar parar, já que pode consultar facilmente os documentos do condutor através de um portátil.
No sistema nacional de saúde, os doentes, tal como os médicos, podem aceder aos registos médicos, ver quem os consultou ou analisar e reportar alguns casos de abuso.
A Estónia é pioneira na utilização da blockchain aos serviços dos cidadãos e da administração pública.
O princípio básico da blockchain está no facto de permitir que duas ou mais partes possam realizar transações ou negócios sem a necessidade de grandes intermediários como bancos ou governos.
Essas transações podem ser automatizadas através de smart contactos que incluem informação sobre as ações previstas atomaticamente.
A blockchain é vista por legisladores e empresários com otimismo.
Em menos de dez anos, 10% do PIB mundial estará armazenado na blockchain, segundo o Word Economic Forum. Foi, para estudar os seus desafios e oportunidades que a União Europeia, criou o Observatório Forum para a Tecnologia de Cadeia de Blocos.
Em Portugal, será lançado brevemente  a Aliança Portuguesa de blockchain, que reúne,entidades governamentais para dotar o sistema empresarial português de conhecimentos sólidos em blockchain.
As vantagens económicas com maior rapidez e redução de custos, são motivos para o crescente interesse na tecnologia.
A "cadeia de blocos", uma tecnologia onde a informação é armazenada de forma distribuída e armazenada, está a dar os primeiros passos e há desafios a ultrapassar,- maturidade, escalabilidade, literacia e escassez de recursos técnicos. A ausência de quadros regulatorios claros e estáveis , reação dos poderes públicos, resistência à mudança e risco, não ser possivel de ultrapassar dificuldades tecnológicas, também são referidos como entraves à adoção massificada da tecnologia.
Mas as suas mais-valias continuam a mobilizar setores e indústrias, atraídos pela segurança, transferência, rapidez, custos reduzidos ou pela eliminação de intermediários.
Não existe uma ou várias blockhains com características diferentes. Esta +e uma das tecnologias que permite armazenar e validar a informação em cadeia, de forma distribuída e autonomizada: em vez de os dados serem guardados num servidor e validados por uma entidade, são partilhados por todos.

sexta-feira, 2 de março de 2018

A GLOBALIZAÇÃO: O IMPACTO NO MUNDO

No mundo rico vivem cerca de mil milhões de pessoas, o que corresponde a 1,5% da população mundial mais que representa cerca de metade do PIB mundial. O futuro da humanidade depende essencialmente daquilo que acontecer nos restantes países do mundo, onde vivem 6 mil milhões de pessoas, o que representa 85% da população mundial, e que serão responsáveis pela quase totalidade (97%) do aumento da população prevista para 2100.
A história industrial moderna, ou pelo menos a maior parte dela, é uma narrativa em que as economias do mundo emergente, ficam cada vez mais para trás do mundo rico, em matéria de rendimento, e níveis de vida.
O Know-how- o capital social que alimenta o crescimento da riqueza no mundo rico, passou ao lado da maioria das economias pobres, se exceptuamos um outro caso isolado de sucesso, de que o Japão e a Coreia do Sul são bons exemplos.
Durante as duas últimas décadas, esse padrão ruiu de forma significativa, quando uma conjugação de fatores económicos, entre os quais a revolução digital, integrou milhares de milhões de novos trabalhadores na economia global.
Os trabalhadores dos mercados emergentes, dão um dos principais contributos para a atual abundância de mão-de-obra, A sua entrada nos mercados globais de trabalho contribuem para a ascensão de uma classe média à escala mundial, e reduzem os rendimentos dos trabalhadores menos qualificados do mundo rico.
Acontece, porém, que esta explosão dos mercados emergentes não assentou numa consolidação generalizada das instituições, embora ela não tivesse acontecido, sem as reformas económicas da China e da Índia, nenhum destes países, nem os mercados emergentes em geral, desenvolveram o intenso capital social que permitiu o crescimento seguro e constante dos países ricos, ao longo de mais um século.
O mundo emergente que encontrou uma forma de contornar o estrangulamento do seu capital social.
Em alternativa, ao processo penoso de desenvolver a capacidade de transformar as ideias e o Know-how em projetos úteis e lucrativos, num longo espectro de setores de atividade económica, o mundo emergente, percebeu que podia apanhar migalhas da atividade em curso em países mais ricos, e de colher alguns frutos da capacidade de crescimento desses países.
Entretanto, a era do crescimento rápido dos mercados emergentes está a chegar ao fim.
A revolução digital está a contribuir para o seu abrandamento, e,  no futuro fará com que os países pobres tenham mais dificuldade em repetir o desempenho  económico dos últimos vinte anos.
Uma vez mais, as economias ricas desfrutaram de um quase-monopólio de todos os tipos de capital necessários para criar os rendimentos típicos dos países ricos.
O abrandar do crescimento dos mercados emergentes tem graves consequências. Amais importante é a de que milhões de pessoas continuarão muito mais pobres, do que o esperado.
A estagnação dos rendimentos nos países mais pobres irá exacerbar as tensões políticas em algumas regiões, e dificultar a adaptação das populações das economias emergentes às dificuldades, entre as quais as alterações climáticas.
Sendo certo, que o capital humano e o capital físico desempenham papéis importantes na geração de rendimentos elevados, o capital social, é o fator indispensável..
Os países prósperos têm instituições sólidas, tais como os governos fortes e estáveis, empenhados em proteger os direitos de propriedade individual.
O capital social fomenta a evolução e o desenvolvimento de instituições impulsionadoras do crescimento, que por sua vez, fomentam a acumulação contínua do capital social.
É possível que o mundo regresse a uma situação em que os rendimentos dos países ricos crescem cada vez mais, em relação aos países pobres, mas não os devemos surpreender com a descoberta de que o mundo continua a ser um lugar, onde é muito difícil enriquecer, e são raros os países que conseguem dar o salto.
Se algum novo modelo de desenvolvimento emergiu dos mercados emergentes, foi certamente um modelo, em que pequenas bolsas de economias em desenvolvimento melhoraram a sua capacidade social e tecnológica para competir na economia global do conhecimento científico.
Acontece porém, que o notável progresso tecnológico da era digital é refractado pelas instituições industriais, de modo que não permitem ver quem está a causar o quê.
Não há dúvida que as novas tecnologias têm o potencial necessário para evolucionar a sociedade e a economia, e estão a surgir empresas que prometem levar a sociedade por este caminho.
Contudo, os danos colaterais, sob a forma de empresas falidas e trabalhadores despedidos, acumulam-se.
Os trabalhadores que necessitam de dinheiro para viver, procuram trabalho e aceitam cortes salariais quando não têm outro remédio. Os salários mais baixos são um incentivo para as empresas usarem os trabalhadores em tarefas menos produtivas.
O afluxo de pessoas a empregos de baixa produtividade tem o feito de fazer com que a sociedade pareça mais pobre do que é.
E os baixos salários têm também o efeito de tornar a sociedade mais pobre do que devia ser.
As alterações tecnológicas, são difíceis de prever.
 Mas à medida que aumentam as capacidades tecnológicas, reduz-se o conjunto de tarefas, pelo que os humanos têm algumas vantagens.
Como as sociedades produtivas, são o lugar de redistribuição, tanto os trabalhadores produtivos, como os improdutivos, têm interesse em definir o melhor possível as suas fronteiras.
 É a realidade de redistribuição que leva a sociedade ao efeito de escassez na repartição dos ganhos no seio da sociedade, em detrimento do efeito da própria sociedade, na produtividade e no bem-estar.
A redistribuição, é o único meio de conseguir que os rendimentos dos trabalhadores menos produtivos, acompanhem o crescimento da produção média por pessoa.
O objetivo do progresso tecnológico é melhorar as vidas humana, devido à ampliação do mercado e não a qualquer manifestação de empatia humanitária.
O desafio é criar um interesse social alargado numa redistribuição abrangente.
 Como?
Compartilhar a riqueza criada pelas instituições sociais produtivas que evoluíram e o conhecimento que se gerou, cultivando a empatia humana e fazer tudo quanto esteja ao seu alcance, a fim de tornar a riqueza dos humanos extensiva a toda a gente.