segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

DEPRESSÃO ECONÓMICA: QUE PARADOXOS?

A economia está em todo o lado. A economia trabalha com a escassez e o custo de oportunidade- o custo de recusar a melhor alternativa quando se toma uma decisão. Mas nem sempre é assim. Por vezes surgem depressões. Quando a economia está em depressão, a escassez deixa de dominar, os recursos ficam inativos, pelo que é possível ter mais de algumas coisas, sem ter menos de outras.
O que define uma recessão? É um período em que a maioria das atividades económicas está a descer. E as depressões? Por vezes os economistas tentam definir as depressões com uma descida de 10% ou mais na produtividade.No entanto, quando falamos da Grande Depressão, não nos referimos apenas à crise de 1929- 1933: estamos a falar de todo o período que inclui episódios de crescimento a períodos de declínio. O que provocou a grande depressão foi o fato das economias estarem abaixo da sua capacidade. As crises vulgares terminam com relativa rapidez, porque os bancos centrais cortam nas taxas de juro e a economia volta a crescer. Todavia, durante a Grande Depressão, estes bancos não podiam fazê -lo, porque as taxas a curto prazo, estavam muito próximas do zero e não podiam descer mais. Portanto, na verdade, as depressões são definidas em termos de situações em que a economia está persistentemente abaixo da sua capacidade e , em que a expansão monetária é ineficaz, porque as taxas de juro estão perto do zero. Desde que as pessoas começaram a aperceber -se do fenómeno dos ciclos económicos, assumiram que a queda brusca dos preços é uma consequência necessária. Os altos e baixos da economia pode dificultar a aplicação das políticas corretas. Portanto uma depressão é uma situação em que a economia está a funcionar abaixo da sua capacidade e, em que a política económica não permite recuperar pleno emprego. A economia da depressão é marcada por dois paradoxos: o paradoxo da poupança, em que a tentativa de poupar mais, faz na realidade, com que a nação poupe menos , e, o paradoxo da flexibilidade, em que a disponibilidade dos trabalhadores em proteger os seus empregos, aceitando salários mais baixos, reduz de fato o emprego total. Quanto ao paradoxo da poupança: para a economia no seu todo, as poupanças, em termos contabilísticos, são sempre iguais a investimento. Mas tudo isso funciona através das taxas de juro mais baixas que, diretamente reduzem os custos dos empréstimos ou, indiretamente,conduzem a preços mais baixos das ações, seja como for, o custo do capital cai para as empresas que pensam em expandir -se, sendo o resultado mais investimento.. Ora numa depressão as taxas de juro, a curto prazo, não podem descer, porque já estão em zero. Portanto o mecanismo das poupanças para o investimento é interrompido. E quando há uma queda nas despesas totais, a economia entra numa maior depressão, por isso há menos razões para as empresas expandirem a sua capacidade, ou seja para investir.
E quanto ao paradoxo da flexibilidade? Normalmente , a maneira de conseguir que as pessoas comprem mais é reduzir o preço. Mas se não há empregos suficientes, qual a resposta para os cortes dos salários? Ora é verdade que os trabalhadores de uma empresa, podem salvar os seus empregos, aceitando cortes nos salários, isto porque ao reduzirem os salários, o seu trabalho e os produtos que fabricam ficam mais baratos em comparação com o trabalho e os produtos de outros trabalhadores. Mas quando o nível geral dos salários baixa, ninguém ganha uma vantagem relativa. Se se verifica algum efeito positivo no emprego, isso deve -se às taxas de juro. Na prática a maneira como isto funciona tende ser através do banco central: salários mais baixos, significa inflação mais baixa, o que incentiva o banco central a cortar nas taxas de juro, levando a uma maior procura e mais emprego, Contudo, numa depressão as taxas de juro não podem ser cortadas, por isso não existe nenhum canal por onde os salários mais baixos possam aumentar o emprego. Ora se os salários, os preços e os rendimentos também caem, o peso real da dívida também sobe, reforçando o efeito depressivo da dívida sobre as despesas.Isto significa que a existência de mercados de trabalho flexíveis, em que os salários caem rapidamente devido ao desemprego, é uma solução preversa em condições de depressão. Então como combater a depressão? Uma depressão é uma situação em que as medidas políticas que habitualmente tomamos, nomeadamente cortes nas taxas de juro pelo banco central, são insuficientes. Contudo isso não significa que não se possa fazer nada. Em condições de depressão, o fato de o governo contrair empréstimos, não desmotiva o investimento privado, pelo contrário, provavelmente leva a um investimento privado mais elevado, porque uma economia mais forte, dá aos negócios mais razões para se expandirem. Mas não será irresponsabilidade contrair empréstimos e sobrecarregar com dívidas as gerações futuras? Não, porque quando estamos em depressão, o benefício de contrair empréstimos ajuda a pôr a trabalhar os recursos não empregados, ou seja a criar mais empregos. Muitos economistas acreditam que a saúde orçamental é boa para combater a depressão. Em tempos de crise como esta, seria útil, se os bancos centrais tivessem orçamentos equilibrados e um compromisso firme com a estabilidade de preços.

sábado, 8 de novembro de 2014

COMO CONSTRUIR UMA OUTRA EUROPA?

Os governos dos países europeus optaram por impor aos seus povos, políticas de austeridade, com cortes significativos nas despesas públicas: despedimentos na função pública,congelamento e redução dos salários dos funcionários, redução do acesso a determinados serviços públicos vitais de proteção social e adiamento da idade da reforma. O custo das prestações dos serviços públicos aumentou,(transportes, água, saúde, educação, bem como a subida de impostos indiretos, nomeadamente do IVA. A austeridade agravou o crescimento económico e desencadeou um efeito bola de neve, ou seja: sendo o crescimento fraco, a dívida pública cresce. São os assalariados, os desempregados e as famílias mais carenciadas que mais contribuem para os Estados engordarem. Segundo as estatísticas, desde 1980, centenas de milhares de milhões de euros de dádivas fiscais foram essencialmente orientadas para a especulação e acumulação de riqueza, por parte dos mais ricos. É preciso conjugar uma reforma em profundidade da fiscalidade, que tenha um objetivo de justiça social(reduzir simultaneamente, os rendimentos e o património dos mais ricos para aumentar os rendimentos da maioria da população), com a sua harmonização no plano europeu, a fim de evitar o dumping fiscal. O objetivo será um aumento das receitas públicas, nomeadamente através de um imposto progressivo, sobre o rendimento das pessoas mais ricas. O aumento das receitas deve ser paralelo a uma baixa rápida do preço de acesso aos bens e serviços de primeira necessidade (alimentos,água,eletricidade, transportes públicos e material escolar), nomeadamente por uma redução forte do IVA, sobre esses bens e serviços vitais. Trata -se de adotar uma política fiscal que favoreça a proteção do ambiente, tributando as indústrias poluentes. Segundo várias opiniões é necessário lutar contra os paraísos fiscais que fazem perder recursos para o desenvolvimento.
Também convém proibir a especulação com títulos da dívida pública, com as moedas, com os alimentos,as vendas a descoberto e os Credit  Default Swaps. É preciso fechar os mercados paralelos de produtos derivados que são verdadeiros buracos negros.O setor das agências de notação também deve ser estritamente reformado. Essas agências são estruturalmente partes interessadas da globalização neoliberal, e desencadearam várias vezes, catástrofes sociais. Com efeito, a baixa da notação de um país, pode implicar uma subida das taxas de juro, que o Estado tem de pagar, para conseguir pedir empréstimos nos mercados financeiros. Devido a isso, a situação financeira do país deteriora -se. Segundo opiniões de vários economistas, repartir a riqueza de outra forma é a melhor resposta para a crise. A parte das riquezas produzidas, destinadas aos assalariados, baixou nitidamente  há várias décadas, enquanto os credores e as empresas aumentaram os seus lucros   para os destinarem à especulação. Por outro lado, diminuindo o tempo de trabalho, sem redução de salário e criando emprego, melhora a qualidade de vida dos trabalhadores.
Também várias disposições dos Tratados que regem a União Europeia, devem ser ab-rogadas. Por exemplo é necessário substituir os Tratados atuais por novos, a fim de se chegar a um pacto de solidariedade dos povos para o emprego e para o ambiente. É ainda necessário rever a política monetária, bem como o estatuto e a prática do BCE. O BCE deve poder financiar Estados que pretendam atingir objetivos sociais e ambientais que integram as necessidades fundamentais das populações.  Uma Europa construída sobre a solidariedade e a cooperação, permite virar as costas à concorrência e à competição. Uma outra Europa, centrada na cooperação entre Estados e na solidariedade entre os povos, a fim de ser adotada uma Constituição , deve ser o objetivo prioritário. Para tal,as políticas orçamentais e fiscais não devem ser uniformizadas, porque as economias europeias apresentam fortes disparidades. Deverão ser impostas políticas globais à escala europeia, incluindo investimentos públicos, para a criação de emprego em domínios essenciais.
Esta outra Europa, deve reforçar a justiça fiscal e social, aumentar a qualidade de vida dos cidadãos e reduzir a dívida.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

UM ESTADO SOCIAL PARA O SÉCULO XXI

Neste início do século XXI, quando, algumas desigualdades que acreditávamos estar ultrapassadas, no quadro da nova economia global, poderemos esperar por uma evolução do capitalismo mais pacífica, ou deveremos estar na expetativa das próximas crises mundiais?
Que instituições regulam o capitalismo do século XXI?
A instituição ideal que permite evitar uma espiral desigualitaria sem fim , seria um imposto mundial e progressivo sobre o capital, dado que este imposto é um dos elementos do sistema fiscal e social na construção de um Estado social adaptado ao século XXI. O peso do Estado  é atualmente muito maior do que nos anos anteriores a 2010. Daí a crise atual, ser traduzida num questionamento do peso e do poder dos Estados, tendo este, na vida social e económica um papel central que foi adquirido no pós- guerra. Não há dúvida, de que é necessário renovar e modernizar profundamente os sistemas de tributação e de despesas que estão no coração do Estado social moderno e que constituíram um enorme desafio para as nossas sociedades democráticas neste século XXI. Seja como for, o sistema redistributivo moderno e em particular o Estado Social, construído nos países ricos ao longo do século XX, fez-se em torno de um conjunto de direitos sociais fundamentais:o direito à educação, à saúde e à reforma. Esses sistemas sociais são objeto de um muito amplo consenso, nomeadamente na Europa, onde prevalece uma ligação muito forte ao que se designa por um "modelo social europeu". É certo que podemos sempre imaginar uma sociedade em que os impostos representavam dois terços ou três quartos do rendimento nacional, desde o momento em que fossem cobrados de uma maneira eficaz, fossem aceites por todos, e sobretudo, utilizados para financiar necessidades e investimentos prioritários na educação, na saúde, na cultura, nas energias limpas e no desenvolvimento duradouro. Antes de mais, o processo rápido de alargamento do papel do Estado, observado durante os 30 gloriosos anos, foi em grande parte acelerado e facilitado pelo crescimento forte que caracteriza este período: quando os rendimentos aumentam em 5% ao ano, não se justifica que parte desse crescimento seja todos os anos afetada à progressão da carreira fiscal e das despesas públicas, sobretudo num contexto em que as necessidades quanto à educação, saúde e reforma são evidentes. Mas desde os anos 90, tudo mudou: com um crescimento do rendimento médio por habitante a 1% ao ano, no máximo, ninguém deseja uma subida significativa da carga fiscal, porque iria agravar ainda mais a estagnação dos rendimentos e uma maior recessão.  Podemos pensar em redistribuições entre impostos, ou então numa maior progressão da carga fiscal, para uma massa global mais ou menos estável. É óbvio que existem objetivamente necessidades crescentes quanto à educação e saúde, que pode sem dúvida, justificar um ligeiro aumento das contribuições no futuro. Mas os habitantes dos países ricos teem também necessidades legítimas de poder de compra, para viajar, para se vestirem, se alojarem e acederem de novo aos serviços culturais. Num mundo de crescimento fraco de produtividade, é preciso fazer opções entre diferentes tipos de necessidades. Seria bom melhorar a organização e funcionamento do setor público que atualmente representa  metade do rendimento nacional. Nos países ricos, os debates sobre o Estado social, nas próximas décadas incidem antes de mais,  nas questões de organização, de modernização e de consolidação: para uma massa total de retenções e de despesas, em proporção do rendimento nacional.Como melhorar o funcionamento dos hospitais, das creches, nos honorários médicos, reformar as universidades, ou ajudar o cálculo das pensões de reforma ou dos subsídios de desemprego?
É certo que em todos os países, relativamente às instituições educativas e às despesas públicas com educação, existe uma certa mobilidade social: cada pessoa pode ter acesso à formação, quaisquer que sejam as suas origens sociais, mas é muito difícil medir as desigualdades sociais ao longo das várias gerações.
E quanto ás pensões de reforma? Os sistemas públicos de reforma assentam no essencial, no princípio da distribuição. Na opinião de muitos economistas, os sistemas de reforma por distribuição devem ser substituídos o mais depressa possível, por sistemas assentes na capitalização. As contribuições devem ser aplicadas e não transferidas imediatamente para os reformados, e dessa forma, poderão capitalizar -se a mais de 4% ao ano e financiar as futuras reformas durante algumas décadas. Mas, a transição da distribuição para a capitalização, engloba uma grande dificuldade que não é , de modo algum negligenciável. Deixa uma geração de reformados totalmente desprotegida. A geração que se prepara agora para se reformar e que financiou as pensões da geração precedente, veria com maus olhos o fato das contribuições que daqui a algum tempo lhes são transferidas. Os sistemas de reforma, atingiram uma complexidade extrema com diferentes regimes e diferentes regras, sendo o direito à reforma um enigma. No entanto, é credível que a criação de um regime único de reforma, fundado em contas individuais, possibilita, que cada pessoa, possa adquirir os mesmos direitos, qualquer que seja a complexidade da sua trajetória profissional, desde que façam parte das reformas do Estado social, no século XXI. Este sistema permite a cada pessoa antecipar o que pode esperar para os dias da reforma, organizar melhor as suas opções de poupança e de acumulação num mundo de crescimento económico fraco.
Será Portugal um Estado social?   Todas as tipologias da despesa (com exceção da dívida) teem vindo a ser cortadas para suportar a defesa do Estado social. A preocupação com a preservação da proteção social não significa um aumento das prestações sociais a cada individuo, uma vez que o número de pessoas carenciadas cresceu muito. Por outro lado, há menos cidadãos em condições de contribuir para o esforço da solidariedade nacional. Neste contexto é natural que muitas opiniões se referem ao recuo do apoio do Estado. Também como mostram as estatísticas, merecem especial referência as empresas, que nos últimos anos teem denotado grande tenacidade na proteção do emprego dos seus colaboradores. Tal realidade implica que a clara deterioração do mercado de trabalho entre 2010 e 2013, tenha resultado do colapso das novas contratações, o que obviamente impediu uma célere reabsorção dos trabalhadores despedidos, assumindo a sociedade portuguesa avultados custos. A nova realidade do Estado Social é enfrentada com uma nova moldura, tornando  esse Estado mais eficiente e mas ético, reprimindo os abusos e os desperdícios, promovendo uma mais sólida cultura de partilha de riscos.
Um Estado Social com uma sólida igualdade de oportunidades, não se podendo dissociar do sistema fiscal e da sua progressividade, antes e deverá ser articulado com este, colidindo com a necessidade de promover a competitividade das empresas e a promoção do emprego.  A vulnerabilidade social assume hoje aspetos mais diversos do que há décadas. Por um lado, um Estado carenciado ou pobre hoje, não significa, apenas ter recursos insuficientes e escassos, significa suportar outros riscos relacionados com a solidão e a escassez de qualificações, ou outras formas de exclusão. Significa sobretudo, uma pobreza de escolhas e oportunidades, a nova pobreza, designadamente provinda do desemprego e a pobreza potencial que paira sobre os estratos médios da população.
No domínio dos cuidados de saúde, há ainda razões específicas que pressionam os custos a suportar, designadamente novas doenças civilizacionais;
- a inflação médica superior à inflação medida  pelo índice de preços do consumidor;
- a intensidade do capital na saúde que nem sempre é acompanhada do respetivo aumento da produtividade dos fatores;
-maiores dificuldades de estandardização ou massificação de procedimentos em comparação com outras atividades;
- o desenvolvimento tecnológico que ao contrário de outras atividades económicas teem tendência a aumentar e não a diminuir os custos unitários de saúde, conduzindo a uma prática de mudança mais cara . Uma reforma do sistema social, deve ser construída com base na conjugação harmoniosa entre a cobertura pública, empresarial e familiar e os riscos sociais. O Estado deve assumir em plenitude as suas responsabilidades e partilhar uma simbiose de transferências entre empresas e famílias intergeracionais a longo prazo. Reformar o Estado Social é ajudar as pessoas com a maior equidade social e geracional.
























































































































































































































































domingo, 5 de outubro de 2014

UM PAÍS COM DESIGUALDADES

Portugal é um país que existe há muito tempo, tem uma presença significativa e bem marcada no seio da humanidade e que indiscutivelmente tem problemas que exigem solução. Esses problemas são os portugueses que sofrem, que os causam, são aqueles que fazem parte da nossa identidade. É necessário conhecer a realidade onde se vive. Qual é a nossa realidade? Portugal é um país médio, tem as fronteiras estáveis e um povo homogéneo e coeso, pelo que tem um valor enorme na estabilidade e sobrevivência do nosso povo.Muitas pessoas perante a evidência negam a possibilidade de sermos ricos, pela óbvia presença da pobreza entre nós, em particular devido à recessão. Como se pode ser rico no meio de tanta miséria?Todos os países teem pobreza e até nos mais ricos existe crises. Verifica -se em todos os países do mundo a vivência de pessoas com grandes dificuldades. Nas últimas décadas convencionou -se que Portugal está na cauda da Europa. No entanto, o nosso crescimento relativo face à média do produto europeu avançou 35% ao fim de 12 anos. De 1986 a 1996, o crescimento económico e a melhoria social foram significativos. Mas a 1 de Maio de 2004, quando entraram 10 países mais pobres que Portugal, a 1 de Janeiro de 2007, com mais dois e a 1 de Julho de 2013 com mais um, Portugal foi colocado numa posição desvantajosa. A disparidade de rendimentos e as desigualdades em Portugal, são conceitos difíceis de medir e avaliar. É muito difícil ter uma opinião clara àcerca do impacto social de um choque como a crise de 2008 a 2014. A recessão afetou sobretudo a classe média, inicialmente pela recessão económica, depois pelos cortes orçamentais.Portugal está sempre no fundo das tabelas da desigualdade da União Europeia.Se Portugal é desigual, quais os grupos que mais sofrem com esta desigualdade? É  nos estratos mais pobres e na classe média. Também as pensões recebidas pelos idosos mais pobres absorveram quase todos os choques económicos, enquanto as transferências sociais mantiveram a sua influência. Portugal tem uma estrutura social que sofre de forte desigualdade, sendo os mais idosos a classe mais desprotegida. A realidade de Portugal é aquela que todos nós vivemos  na recente crise. Perante tal colapso, os políticos nacionais e europeus envolveram -se numas terríveis discussões e teorias. Os cidadãos portugueses resolveram a sua vida: uns emigraram, outros reformaram-se, outros mudaram a sua atividade. Todos mudaram de vida. 
O tempo passa inexoravelmente, um momento de cada vez. O que fica? Aquilo que permanece em nós de quem mais passamos o nosso tempo: o conhecimento, a cultura, a educação, os valores.Portugal será compreendido e os seus problemas terão solução se existir solidariedade entre os cidadãos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

OS PROBLEMAS ECONÓMICOS DA EUROPA

Os problemas económicos da Europa começam com os respetivos Estados - Providência Por exemplo, na Alemanha, em França e na Itália, as taxas de desemprego foram 50 e 100 por cento mais elevadas durante quase duas décadas. A quota de europeus que podiam trabalhar e trabalham ou querem realmente trabalhar é menor, devido a alguns programas de proteção de trabalhadores que esgotam os potenciais postos de trabalho.No entanto, o maior fator é a cultura, visto que muitas das diferenças resultam do número de mulheres que trabalham ou que estão à procura de emprego. Assim, quase 60 por cento das norte - americanas pertencem à mão-de-obra do seu país, bem como as inglesas; mas metade das francesas, alemãs ou italianas em idade ativa trabalha ou diz que quer trabalhar.Ora, para as economias que criam muito do seu valor ao aplicarem o capital humano e tecnológico e ao desencorajar tacitamente as mulheres de trabalhar dão origem a custos muito dispendiosos.Se estas atitudes persistirem, o crescimento europeu, poderá vir a ser negativo, nos anos vindouros, à medida que a globalização for deixando as economias avançadas com poucas possibilidades de impulsionar o crescimento. Por outro lado, a quantidade e a qualidade dos trabalhadores que realmente têm emprego, são igualmente importantes. Também aqui, as principais economias da Europa, funcionam de maneira diferente.Em primeiro lugar, o trabalhador médio alemão, francês, italiano ou britânico, trabalha menos horas do que os americanos,japoneses ou sul-coreanos.O cerne do problema económico ,que a Europa enfrenta, reside na orientação básica de grande parte das empresas, das políticas económicas e da cultura empresarial europeia, a qual entra em conflito com o papel que a globalização oferece às economias avançadas. A função das economias em desenvolvimento é evidente: muitas delas tornaram -se sérias plataformas de produção e de montagem de todos os bens do comércio global que podem ser uniformizados, desde as t-shirts e as tampas de plástico, até aos computadores e automóveis. Esta situação é, simplesmente, o resultado de todo o capital, tecnologias, gestores e por fim, de todas as organizações de negócios modernas, que as empresas globais transferiram para o mundo em desenvolvimento, durante as últimas décadas.
A investigação demonstra que a capacidade que uma sociedade tem para adotar e adaptar rapidamente e amplamente, as inovações desenvolvidas por outros é, importante a nível económico. A globalização exige que as empresas nas economias avançadas, sejam capazes de utilizar os métodos de gestão, as tecnologias de informação e os instrumentos baseados na internet, disponíveis e mais sofisticados, para que possam construir e gerir as redes globais que ligam tudo.Contudo, as principais economias da Europa não são verdadeiramente globais. A vasta maioria do comércio e do investimento ainda se encontra nos Estados Unidos. O custo para a Europa de ignorar, em grande medida, o mundo em desenvolvimento, assenta não só, em negar aos consumidores alemãs, franceses e britânicos o acesso de muitas das fontes mais baratas do mundo de produtos - padrão, como também em negar às respetivas empresas o acesso aos materiais e aos bens intermédios, com os preços mais baixos. Igualmente importante, é o fato de estes países estarem a fechar -se aos mercados de crescimento mais rápido do mundo, numa altura em que as empresas e as pessoas de muitos países em desenvolvimento são capazes de comprar aquilo que os países mais avançados produzem. A preocupação económica da Europa é ainda mais profunda no que se refere aos locais onde as empresas europeias instalam as empresas estrangeiras ou onde se situa o investimento direto estrangeiro.Se as empresas de países fora da Europa, obtiverem produtos a preços muito baixos e aprenderem a  produzir e vender com  custos de produção elevados, a Europa cresce mais lentamente e desenvolve -se com rendimentos mais baixos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

AS NOVAS TECNOLOGIAS

O  que podemos esperar nos próximos dez ou quinze anos com os avanços das novas tecnologias?
Reforçar o crescimento e o desenvolvimento a nível mundial e, possivelmente, ajudar a resolver as crises energéticas, ambientais e cuidados de saúde com que muitos países se irão confrontar em breve.
As inovações tecnológicas que mudam a forma como milhões de pessoas vivem e trabalham não são regulares nem raras. Existem sérias razões para acreditar que o ritmo geral das inovações tecnológicas tem vindo a aumentar nos próximos dez a quinze anos.Uma razão é o fato de atualmente, os cientistas e investigadores, poderem aproveitar o enorme poder das novas tecnologias de informação para os respetivos campos de estudo. Outro fator é o fato de, pela primeira vez na história da ciência, o progresso tecnológico ser verdadeiramente global. A globalização tem outro efeito no ritmo do progresso tecnológico: ao permitir que as sociedades se tornem mais prósperas, o mercado expande -se para um software mais potente. Ora um mercado potencial maior, aumenta a rendibilidade do desenvolvimento de inovações, o que aumenta os recursos dedicados ao desenvolvimento  e, em última análise, o número de novas tecnologias que chegam aos escritórios, às fábricas e aos lares. Por isso não é de surpreender que a maior economia do mundo, se tenha tornado " o viveiro mundial da inovação". Muitas das novas tecnologias da informação, parecem estar concentradas na mobilidade  aumentada e nas tendências que podem difundir a Internet e as tecnologias de comunicação, acelerando o seu crescimento e a globalização. Se a tecnologia e a economia se desenvolverem, por volta de 2015 e 2020, os dias de trabalho de dezenas de milhares de pessoas serão muito diferentes dos dias de hoje. As poupanças de tantas pessoas a trabalhar a tempo inteiro, a partir de casa ou a partir de centros -satélite, podem ajudar a aumentar os lucros, o investimento e o crescimento. No entanto, as maiores mudanças esperadas pela maior parte dos especialistas em tecnologias da informação, para a próxima década, envolvem aumentos contínuos do hardware e do software.As tendências nas tecnologias de informação podem impulsionar outra explosão de crescimento e desenvolvimento na próxima década - especialmente em locais que acolhem as empresas estrangeiras para construir as redes e proporcionar o hardware e o software, investindo na educação para sem utilizadas novas tecnologias.
Por todo o mundo, a globalização irá mudar a vida das pessoas. Á medida que a globalização se afirmar nos últimos anos, a produção mundial cresce mais rapidamente do que durante qualquer período. Durante a próxima década, o imperativo económico para a maioria das nações irá ser, abrir a economia às ambições das populações e às capacidades dos outros.
Os países que irão vencer na próxima década, serão aqueles que abrirão os mercados tanto quanto possível às ideias e aos impulsos dos seus empresários, a investimentos e operações das empresas estrangeiras e bens e serviços produzidos através das redes globais. Seguir este caminho ou não, é a melhor forma que o mundo tem nesta altura para gerar crescimento e riqueza. Os países avançados mais prósperos durante a próxima década, serão aqueles que se concentram com mais sucesso, naquilo que as economias avançadas fazem melhor - criar, adotar, e adaptar -se às novas tecnologias e processos de produção importantes, às novas formas de financiar, comercializar, organizar e gerir.
No entanto, atualmente, a invasão das nossas vidas pelas tecnologias está a criar uma situação paradoxal. Somos inundados constantemente por uma cascata de informação, dados, notícias, rumores, mensagens ou pedidos que nos fazem gastar mais tempo on -line do que queremos. Entrar nas redes sociais para comunicar e partilhar mil e uma coisas com amigos, familiares e conhecidos, ou receber chamadas e mensagens sem fim, sobra pouco tempo para as tarefas e conversas mais serenas, mais focadas neste ou naquele assunto e mais concentradas.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

OS NOVOS PAÍSES EMERGENTES

Como cresce uma nação?A questão passa por permitir o fluxo livre de bens , capitais e pessoas, encorajar a poupança, garantir que os bancos canalizem as verbas para investimentos produtivos, impor o Estado de Direito, estabilizar a economia com défices públicos, estabilizar a inflação e abrir as portas ao capital estrangeiro. Os novos países emergentes enfrentam uma realidade: com a redução do crescimento dos países ricos, estes vão comprar menos a economias dedicadas à exportação, como o México, Taiwan e Malásia. Por isso estes mercados terão uma nova forma de crescer a um ritmo acelerado. Muitos analistas e investidores acreditavam correctamente na mudança de riqueza do Ocidente para o Oriente e no fato dos rendimentos médios das nações emergentes se igualarem aos das nações ricas.Malásia, Singapura, Coreia do Sul , Taiwan Tailândia e Hong- Kong, mantiveram um ritmo de crescimento significativo durante as últimas décadas.Os trabalhadores destes países dispõem de educação e de competências necessárias para serem empregáveis, desde que os governos lhes proporcionem empregos lucrativos. Nas primeiras fases de desenvolvimento, os novos países emergentes podem reduzir a diferença de rendimentos em relação às nações ricas com relativa facilidade, adotando ou copiando a tecnologia e as ferramentas de gestão das nações desenvolvidas. Todavia, a partir de um determinado ponto, as nações emergentes já adotaram tudo o que era possível e teem de começar a inovar por si mesmas.Também a  Coreia do Sul é um dos principais países onde as empresas teem uma vasta seleção de indústrias, desde os automóveis aos químicos, sendo muito abertas aos que veem de fora.Coreia do Sul e Taiwan são os medalhas de ouro da corrida económica global e as duas nações na história económica a conseguirem décadas consecutivas de crescimento.Ambas as nações investem bastante em investigação e desenvolvimento.Coreia do Sul cresceu desde a Segunda Guerra Mundial, fabricando produtos de preços baixos para vender às nações ricas, tornando -se  um grande mercado em aço, petroquímicos e construção naval.A Coreia do Sul tornou -se uma nação de tal forma rica que é denominada a "Alemanha da Ásia". Criou marcas genuinamente globais edificadas sobre a produção de bens tecnológicos, lideradas por três dos seus gigantes originais: Samsung, Hyunday e LG. E Taiwan? Taiwan assumiu contratos para trabalhos de produção, muitas vezes servindo -se dos laços culturais partilhados e da proximidade da vasta mão-de-obra chinesa, produzindo um crescimento rápido constante. Durante anos estes dois países correram o rico de invasão- motivo mais do que suficiente para manterem a busca pelo poderio económico militar. No futuro o êxito da Coreia do Sul tem sido a capacidade de sair da sombra do Japão, enquanto potência de produção, sendo considerada a sétima economia do mundo. Quais as nações em ascensão na próxima década?As nações com mais probabilidades de ultrapassar o ritmo esperado de 3 por cento, são a República Checa - o porto de abrigo do caos europeu - e a Coreia do Sul - o"rompe- bloqueios"produtor. A Turquia e a Polónia mostram um grande potencial por se sentirem nações de crescimento rápido. Todavia, o gigante chinês excede o ritmo máximo de crescimento de todas as economias.