sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A DÍVIDA: O MAIOR PROBLEMA DA ECONOMIA

Se o Estado se endividar, pode gastar mais, e desta forma, contribuir para estimular a economia?
Para analisar esta questão é importante: saber até onde o Estado se pode financiar sem criar problemas ao país; qual o resultado dessa despesa.
Analisando o peso da dívida pública, verificamos que de 2007 a 2012, a dívida agravou -se em 84 milhões de euros. O que é que isto significa? Que toda a riqueza que Portugal cria já não chega para pagar a dívida que o Estado tem. Portugal é o país da União Europeia que regista o maior crescimento da dívida.Porquê esta deterioração tão significativa ?São os défices orçamentais sucessivos dos últimos anos, e, o alargamento da própria dívida. É que em 2008, depois da eclosão da crise financeira, os líderes das principais economias mundiais, assustaram -se com a perspetiva de uma depressão da que se seguiu ao crash de 1929. Para evitar esse risco, sugeriram aos responsáveis dos diversos países que abrissem os cordões à bolsa. Como a maior parte dos respetivos orçamentos não tinham folga para aumentar a despesa, os países foram obrigados a endividar -se para financiar a despesa. Resultado: a dívida pública registou um aumento considerável desde 2008 na generalidade dos países, mesmo na Zona Euro.O problema é que quem devia ter utilizado a despesa pública como arma antidepressão, deveriam ter sido  apenas as grandes economias mundiais: os EUA e a Alemanha. Ora o que aconteceu foi que pequenos países, entre os quais Portugal, gastaram o que não tinham, agravando ainda mais uma situação em que ,o défice orçamental não dava qualquer margem para mais despesa.Quanto  ao agravamento da dívida pública, grande parte tem a ver com a prática da desorçamentação, ou seja: o que se fez foi tirar formalmente do orçamento responsabilidades que, na prática, eram do Estado. Isto significa que, apesar das despesas não aparecerem no orçamento, eram efetivamente pagas pelo Estado, representando dívida.. Quando a Troika chegou, obrigou o Governo a tomar medidas que garantiram maior transparência no Universo das operações que envolviam o Estado: ou seja: aquilo que estava fora do orçamento, passou a estar dentro do orçamento.
A partir dos anos 90, o crescimento económico em Portugal, começou a abrandar de forma significativa, porque parcelas cada vez maiores que podiam ser canalizadas para financiar o desenvolvimento, são gastas pelo Estado em atividades que não geram riqueza. Entre 2006 e 2007, a despesa voltou a subir e atingiu o um pico de 50% em 2010. Portanto, o maior problema da economia portuguesa é a má despesa pública ( num país de recursos escassos), que, por sua vez dá origem a outro: o aumento de impostos que passa a ser definitivo com o passar dos anos.O problema de Portugal é que nunca, nos últimos 20 anos conseguiu ter orçamentos equilibrados, mesmo quando a economia crescia a taxas positivas.
Mas vejamos o que nos pediu a Troika? Que cortássemos nos salários do setor público e do setor privado. Porquê? Por causa do défice das contas externas,  Sem reduzir o poder de compra dos portugueses, nunca se consegue fazer o ajustamento das contas externas.  Portugal está a tornar as exportações mais baratas com a redução dos salários. Só que essa redução, é feita em termos nominais, e, sendo assim os cidadãos empobrecem porque o seu poder de compra diminuiu. Daí  a quebra acentuada das importações nos últimos meses. É certo que a instabilidade que se vive, não ajuda à economia portuguesa. Essa instabilidade está a prejudicar a nossa recuperação.; o modelo económico sobre o qual tentamos sustentar, chegou ao fim. Por isso é necessário mudar. É importante o regresso aos mercados, porque em Portugal não existe capital suficiente para financiar o Estado e as empresas. Daí ser necessário pedir dinheiro ao exterior, mas para isso temos de melhorar a nossa credibilidade para que os investidores nos emprestem dinheiro a taxas aceitáveis.

sábado, 9 de novembro de 2013

ESTADO - SOCIAL, SIM OU NÃO?

Perante a atual crise económica e financeira, o Estado - Social, no nosso país acabará?
Direitos sociais e Estado - Providência são produtos da história de cada povo. A história do nosso Estado Providência e dos direitos sociais de que gozamos hoje em dia, é, em larga medida a história das nossas relações ( de aprendizagem, inovação etc), com o resto do mundo sobre este modelo de Estado e este tipo de direitos. Vamos refletir sobre as origens do Estado - Social e colocar em equação o fim do Estado -Social. Quanto às origens do Estado - Social, podemos afirmar que se generalizou por todo o Ocidente e desenvolveu -se a partir da experiência e da estrutura burocrático - jurídica de Estados não existentes intimamente relacionados com a expansão do capitalismo. A principal preocupação do Estado era a manutenção da ordem pública, o controlo do movimento das populações e gestão do mercado laboral, mais do que propriamente o bem -estar dos pobres. O Estado - Providência expandiu -se a novas camadas da população. Cada país concretizou este modelo de Estado - Providência à sua maneira, com os seus recursos humanos e financeiros, à luz da sua cultura e costumes, com base no seu sistema de governo e instituições públicas, a partir das suas experiências históricas. A"Era Dourada" do Estado Providência que se estende até meados dos anos 70, é uma época marcada por reformas políticas orientadas para a criação de um Estado - Social que chegue a todas as pessoas. Este Estado - Social fundado sobre os "princípios da cidadania social" é alicerçada sobre os direitos sociais de carácter fundamentalmente universal.
O crescimento económico é o pilar central sobre o qual se funda o Estado Providência e é condição sine qua non da construção e sustentabilidade dos sistemas públicos universais e gratuitos nos domínios da saúde, da segurança social , saúde e educação.
Olha -se para o Estado liberal do início do século XIX, com nostalgia, e propõe -se uma imagem de futuro radicalmente diferente da herança do pós -guerra. No centro da crítica da ideologia neoliberal, encontra -se o Estado -Social, acusado de ser a causa maior dos problemas sociais e económicos dos anos 70. O Estado - Providência, na óptica neo - liberal, provocou um aumento irrealista e insustentável das expetativas das populações quanto àquilo a que tinham direito, sobretudo em matéria de prestações e apoios sociais. Os direitos sociais tornaram -se fonte de descontentamento popular. A dificuldades em conciliar a sustentabilidade económico - financeira com a democracia eram preocupantes e exigiam uma mudança de política de fundo.
Em 2011 entrou em vigor o memorando de entendimento entre Portugal e a Troika, um documento em que torna o regate financeiro de 78 mil milhões de euros no nosso país, condicional à possecução de um conjunto de reformas. Esta intervenção foi um dos efeitos colaterais da crise financeira de 2008, responsável pela grande crise orçamental. Estamos hoje perante uma situação de grande indefinição sobre a razão de ser deste modelo de Estado. Será que o Estado - Providência desaparecerá?
O fim do Estado - Providênia é uma realidade em Portugal, nos dias de hoje. Porquê?
Porque este modelo é insustentável, assenta sobre perspetivas de crescimento económico irrealistas: o envelhecimento da população, a par da diminuição das taxas de natalidade em Portugal com o Resto do Mundo desenvolvido, constituem um enorme desafio à sustentabilidade financeira do Estado -Social. É visível a crescente percepção com a divisão do mercado de emprego em duas metades: uma protegida, com emprego para a vida e com perspetivas de progressão nas respetivas carreiras;  a outra metade desprotegida, condenada a soluções precárias e sem futuro. Todo este descontentamento ,pode conduzir a uma crise de legitimação social e do regime dos direitos sociais que lhe estão associados, chegando ao  fim do Estado - Social.

sábado, 2 de novembro de 2013

ACABAR COM A CLASSE MÉDIA?

O programa do FMI é dirigido contra a sofrida classe média, pois os salários são reduzidos, os direitos sociais são cortados e existe precariedade no emprego.
Em 2009, espalhou -se o pânico na Zona Euro: foi o início da crise europeia, que começou na Grécia, Irlanda e Portugal e infetou o conjunto da União Europeia que ameaçava destruir a própria construção europeia. Dois milhões de pessoas em Portugal ultrapassavam o limiar da pobreza. As desigualdades entre ricos e pobres acentuaram -se e milhões de pessoas vivem do Rendimento Social de Inserção.
Durante esta etapa, o aumento da procura de trabalhadores jovens, com baixo nível de formação e relativamente pouco qualificados, em relação aos trabalhadores experimentados, formados e qualificados, levou muitos jovens a abandonar o sistema educativo e a sua formação, antecipadamente. Também o desemprego e a enorme perda do poder de compra, fez com que os trabalhadores jovens formados e bem qualificados, trabalhassem mais, por menos dinheiro e em piores condições.
Portugal é um país de novos pobres.. Os novos pobres poderão ter de deixar de comer e correm o risco de se aproximarem da exclusão social. Fomenta -se o medo dos cidadãos, fazendo -os acreditar que é necessário  escolher entre austeridade e caos. A classe média era o principal sustentáculo do Estado Social e o seu desaparecimento implica o desaparecimento deste.
O mais elementar senso comum indica-nos que os cortes contraem tanto o consumo, como  atividade económica, havendo mais recessão, uma maior quebra do rendimento, com a consequente manutenção do défice e crescimento da dívida pública. Em Portugal, o desemprego dispara e a pobreza aumenta, sem que os sacrifícios sirvam para recuperar o crédito, nos mercados financeiros.
No âmbito das medidas para fazer face à crise financeira atual, o mal -estar pessoal adicionado às dificuldades da vida económica irá ter consequências muito além do aspeto económico. Está a ser criada uma sociedade cada vez mais insegura na sua vida profissional, pessoal e familiar, incapaz de enfrentar as exigências de uma economia caótica, que está a levar para a bancarrota nações inteiras, a conduzir populações para níveis de sofrimento e, para outros uma oportunidade inédita para ganhar muito dinheiro. Como? Todos os mercados de obrigações não -europeus estão a enriquecer à custa do nosso sofrimento. Os Estados Unidos, os países asiáticos, a Áustrália, a dívida soberana de todo o mundo experimenta uma pequena idade do ouro graças às nossas dificuldades.
Voltamos  confiar no ouro, que cimentou o nascimento da nossa economia e que, segundo muitos especialistas pode voltar a recuperar o seu protagonismo como fator regulador da economia mundial.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A SOCIEDADE DO FUTURO

No espaço de poucas décadas verificou -se uma transformação na sociedade: a visão do mundo, os valores básicos, as estruturas sociais e políticas, as instituições financeiras, originaram um mundo novo, a sociedade do conhecimento. Um pequeno número de pessoas constataram que a aplicação do conhecimento ao trabalho, gerou economias desenvolvidas, desencadeando a explosão da produtividade dos últimos cem anos. Atualmente o progresso, a produtividade e a coesão social exigem a aplicação do conhecimento ao conhecimento ou seja: o conhecimento já existente poderá ser aplicado de forma mais eficaz para produzir resultados.O principal contributo que a gestão  terá de dar no século XXI, será de igual modo, o aumento da produtividade do trabalho e do trabalhador do conhecimento. Quais são os grandes fatores que determinam a produtividade do trabalhador?
1- Todos os trabalhadores do conhecimento devem ter autonomia para se gerir a si próprios e responsabilidade pela sua produtividade;
2- Uma inovação contínua faz parte da tarefa e da responsabilidade do trabalhador do conhecimento;
3-  O trabalho do conhecimento exige uma aprendizagem contínua por parte do trabalhador, bem como uma transmissão de conhecimentos por parte deste;
4 - A produtividade do trabalhador do conhecimento exige que este seja visto e tratado como um"capital" e não como um "custo". Requer que os trabalhadores do conhecimento queiram trabalhar pra a organização, em detrimento de todas as outras oportunidades. Por conseguinte, a produtividade de um trabalhador do conhecimento deve incidir numa excecional qualidade. A vantagem que os países desenvolvidos podem esperar vir a ter, é no fornecimento de pessoas formadas, preparadas para o trabalho do conhecimento, dado que tudo isso se traduz num aumento de produtividade. A nova sociedade dos países desenvolvidos e dos países emergentes é caracterizada pelo rápido crescimento da população mais velha e pela diminuição da geração mais jovem. Os idosos não irão continuar como funcionários a tempo inteiro mas sim a tempo parcial. Irá existir um mercado de massas determinado pela meia - idade e um mercado de massas, consideravelmente mais pequeno, determinado pelos jovens, dado que é importante criar novos padrões de emprego para atrair um número crescente de indivíduos com formação académica. Os trabalhadores do conhecimento serão o grupo dominante da força de trabalho cujas características são:
- a ausência de fronteiras;
- a mobilidade disponível;
- o conhecimento exigido pelo emprego.
Estas três características transformam a sociedade do conhecimento numa sociedade altamente competitiva, tanto para as organizações, como para os indivíduos. A tecnologia da informação permite que o conhecimento se dissemine, tornando -o acessível a todas as pessoas. Dada a facilidade e a rapidez com que a informação decorre, todas as instituições da sociedade do conhecimento teem de ser globalmente competitivas, embora a maioria das organizações continuem a ser locais nas suas atividades e nos seus mercados. Tudo isto deve -se ao facto de a  Internet permitir que os clientes de todo o lado, saibam o que existe disponível em todo o mundo e a que preço. Os trabalhadores do conhecimento são os novos acionistas e proprietários de muitas das grandes empresas; são profissionais que aplicam o mesmo conhecimento, que desempenham o mesmo trabalho, que se regem pelos mesmos padrões e que são avaliados pelos mesmos resultados. É provável que nas próximas décadas, o número de tecnólogos do conhecimento nas áreas dos computadores, da indústria e da educação cresça ainda mais aceleradamente. Tais trabalhadores, teem duas necessidades básicas: educação formal e uma formação contínua, de modo a manterem o conhecimento atualizado. Tal formação será dada através de seminários ou de programas de formação on line.Não se pode dizer, exatamente , que a sociedade que se segue já chegou, mas já se pode considerar novas necessidades nas seguintes áreas:
- nas empresas do futuro, deverão começar por experimentar novas formas corporativas e por levar a cabo vários estudos piloto, no que toca a trabalhar com joint -ventures e por definir novas tarefas para a gestão do topo.
- nas políticas de pessoal, a forma como as pessoas são geridas, parte do pressuposto de que a força trabalhadora continua a ser largamente constituída por pessoas que são empregadas pela empresa e que trabalham para ela a tempo inteiro, até serem reformadas. As grandes mudanças da sociedade estão prestes a acontecer. Por isso a sociedade do futuro vai ser muito diferente da dos nosssos dias. Não será dominada pela tecnologia da informação, mas sim pelo aparecimento de novas instituições, novas tecnologias e novos problemas.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A CHINA E O CRESCIMENTO DA EUROPA

A ideia de que, num futuro próximo a China produzirá todos os bens industriais do mundo e que a indústria ocidental, especialmente a europeia será eliminada será um erro. Devemos ter medo do domínio global da indústria da China? Não, a China não vai começar a produzir sozinha: primeiro, a China não tem interesse em produzir tudo. Segundo, o forte crescimento chinês enfraquecerá dentro em breve. A ideia de que a China não irá produzir tudo, assenta na teoria da vantagem comparativa desenvolvida por David Ricardo no início do século XIX. Imaginemos duas grandes potências: China e Europa. Suponhamos que a China é superior à Europa em todo o tipo de produção industrial, isto é. que a China consegue produzir todos os bens a um preço menor. Este facto levará a China a querer produzir tudo? Não. Diz Ricardo. A superioridade da China não é igual em todos os produtos. Embora a China possa ser melhor que a Europa para o total dos produtos, essa superiridade é maior nuns que noutros. Assim, a China tem interesse em especializar -se na gama dos produtos em que o país tem uma superioridade nítida face à Europa e deixar que os outros sejam produzidos na Europa. Desta forma, a China realiza a maior produção possível e obtém grandes lucros. A especialização serve os interesses da China e o facto desta especialização ser rentável para a China, torna possível à Europa, continuar a produzir bens industriais. Pode -se pôr em causa que a China poderia ter uma grande agenda política de dominação absoluta e, neste caso o Ocidente seria excluído do mapa industrial, mas essa estratégia não resultaria. Supondo que a China elimina toda a produção industrial do Ocidente e produz por si só tudo o que há por produzir, o problema é que, se o Ocidente nada produz, nada pode comprar à China. Nesse cenário, os produtos industriais chineses não teriam mercado no Ocidente. Terá de haver produção industrial no Ocidente suficiente, para permitir à China vender os seus produtos. Sem uma indústria ocidental próspera, a indústria chinesa não pode continuar a crescer. Por isso a China não tem interesse económico nem político em produzir tudo. Haverá, portanto nichos de mercado suficientes para os produtos ocidentais.Por outro lado, a China tem crescido nos últimos 30 anos, à taxa de 10 por cento ao ano. Outros países, como o Japão e Coreia do Sul, experimentam idênticas taxas de crescimento durante cerca de três décadas, vendo depois o seu crescimento diminuir substancialmente de ritmo. No Japão, o abrandamento começou em finais dos anos 70 e  para quase 0% nos anos 90. A China irá ter um abrandamento semelhante. Quais os motivos? Em primeiro lugar, o atual crescimento económico da China conduz o país a um aumento do nível salarial insustentável; os salários estão hoje a crescer mais de 10 por cento ao ano. Em resultado disto, a China está dentro em breve a deixar de ser um país de baixos salários.Mais: o mesmo crescimento económico, leva a pressões por parte dos trabalhadores, no sentido de obterem melhores condições sociais. O regime Chinês terá de introduzir melhores condições de segurança social para os trabalhadores, resultando daí o aumento dos custos do trabalho. Em segundo lugar,o crescimento económico chinês tem -se baseado num investimento maciço em detrimento do consumo. Os investidores atingem hoje cerca de metade do PIB. Isto conduz a um excesso de capacidade em muitos setores da economia chinesa. O mercado da construção é um exemplo. Os investimentos tornam -se menos rentáveis.  Isso leva ao colapso dos preços e à recessão. Por fim, o crescimento económico chinês é altamente lesivo para as condições ambientais: cidades onde não há sol, tornam -se inabitáveis. A pressão para fazer algo a favor do ambiente é enorme. O Governo chinês será forçado a fazer com que as empresas paguem os custos de poluição. Ora isto abrandará o ritmo de crescimento económico. Em jeito de conclusão, o crescimento económico da China vai abrandar em breve e o total domínio industrial chinês nada mais é do que uma ilusão.

terça-feira, 20 de março de 2012

MAIS EUROPA OU UMA OUTRA EUROPA?

A chamada "austeridade", para supostamente enfrentar a crise das dívidas soberanas, arrasta consigo, uma ataque sem precedentes aos direitos sociais fundamentais, inscritos na matriz de um modelo social, conquistado pela luta de gerações que, no caso português, constitui um traço identitário essencial da Revolução de Abril de 1974; momento fundador do Estado Social de Direito, consagrado na Constituição. A pretexto da crise todos os  Estados Sociais são atingidos. Os tempos que correm são marcados por cortes de salários e de prestações sociais, pelo confisco do subsídio de férias e do 13ºmês aos funcionários públicos, por aumentos da jornada de trabalho sem aumento de salário, pela privação de dias de descanso, por ameaças de cortes salariais a todos os trabalhadores, sempre em nome de uma suposta competitividade da economia. O direito à segurança social universal é posto em causa; degradam-se reformas e pensões; reduz-se o alcance social de prestações sociais, como o desemprego, o rendimento social de inserção ou o abono de família. As funções sociais do Estado são frontalmente atacadas. O Estado reconfigura -se, em obediência ao dogma neoliberal do Estado mínimo, com a privatização dos serviços públicos essencias, com o encerramento das escolas públicas, unidades de saúde, tribunais, estações de correio, balcões de segurança social, transportes públicos e mesmo autarquias locais. Enquanto os lucros do capital financeiro são salvaguardados com o aumento da exploração dos trabalhadores e com todo o tipo de favorecimento por parte do poder político(isenções e benefícios fiscais, operações de recapitalização dos bancos à custa dos contribuintes), assistindo a maioria da população  à degradação constante das suas condições de vida: não só aumenta o desmprego e baixam os salários, como os custos com a saúde e a educação aumentam significativamente, assim como, aumentam os impostos sobre o consumo de bens de primeira necessidade e, sobre os rendimentos do trabalho; aumentam os transportes, aumentam os combustíveis, a electricidade, a água e a generalidade dos bens de consumo. Também não é por acaso que o ataque à Constituição tem sido um eixo central da ofensiva neoliberal. Apesar da Constituição Portuguesa se encontrar plenamente em vigor, são adoptadas medidas que a contrariam frontalmente, nos planos económico, social e cultural e que para além disso, contrariam princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático. Em face da crise, os direitos fundamentais consagrados na Constituição tornam -se letra morta, por acção do governo e da maioria parlamentar que o apoia.  Se a  Constituição não é respeitada, a Lei Fundamental do país passa a ser a arbitrariedade, e, então é o próprio Estado de Direito Democrático que é posto em causa. Consagrando a Constituição um amplo conjunto de direitos de natureza económica, social e cultural e, sendo a tutela dos direitos fundamentais garantida pela aplicação directa das disposições constitucionais, a Lei Fundamental Portuguesa, tem sido encarada pelo poder económico e pelo poder político ao seu serviço como um obstáculo jurídico à imposição de políticas neoliberais destrutivas dos direitos fundamentais. É a  regra de ouro do desastre económico e social em que alguns países da União Europeia, estão a ser mergulhados. A austeridade deixará de ser uma opção dos govenos para passar a ser uma imposição constitucional. A Constituição passará a funcionar como uma "troika" permanente. As duas  últimas cimeiras reconheceram, finalmente, que a austeridade é necessaria, mas não é suficiente. O sucesso da austeridade está inteiramente dependente das políticas de reforço da competitivdade que promovam o crescimento económico. São as reformas estruturais que dão sentido à austeridade e aos sacrifícios aparentemente absurdos e contraproducentes da recessão e do desemprego. Em vez de se investir na qualificação dos trabalhadores, mantendo o compromisso com as políticas de coesão e convergência que até agora caracterizavam o projecto europeu, pretende -se que os países ganhem competitividade, tornando -se mais flexíveis e baratos. Esta receita, para além de injusta, porque condena a periferia ao empobrecimento, é incompatível com a manutenção da actual união monetária. Se todos os países tiverem como objectivo, recuperar a competitividade através da queda dos salários, o resultado é  a retracção da procura e  uma espiral recessiva sem fim à vista. A solução para a crise não passará por "Mais Europa", quando é sabido que o projecto europeu tem sido constituído à medida das conveniências do grande capital e das grandes potências europeias impostas aos povos.  A União Europeia nunca foi um projecto de solidariedade entre os povos. Foi um processo determinado pelos mais poderosos interesses económicos da Europa, que acentuou a dependência das economias mais débeis.  Lutar por uma outra Europa, uma Europa que não esteja ao serviço dos grandes interesses e que seja determinada pelos intereeses dos cidadãos e dos povos não significa "Mais Europa. A luta por uma Europa mais justa e solidária tem de passar necessariamente pela exigência de respeito pela soberania e pela dignidade de todos e de cada um dos povos europeus.

quinta-feira, 8 de março de 2012

COMO PÔR A ECONOMIA A CRESCER?

Nos pacotes de ajuda aos países com dificuldades na zona euro, os programas de austeridade necessários para reduzir os défices estão a anular o crescimento indispensável para tornar a dívida suportável. Por outro lado,os passos necessários para melhorar a competitividade dentro da zona euro exigem a manutenção de baixos preços e salários, tornando ainda mais difícil controlar a dívida. O problema da recessão é grave: reduzir as necessidades de financiamento e o défice público, vender activos, aumentar as poupanças das famílias, não basta. Deverá ser necessário mais crescimento económico: para estabilizar a dívida pública precisamos de crescimento do PIB, muito mais elevado, sendo fundamental um orçamento equilibrado para ter um crescimento sustentado, isto é: um crescimento económico que ao mesmo tempo reduza o défice em relação ao exterior. Quais os sectores que poderão constituir uma vantagem competitiva para Portugal? Talvez orientar a produção para o sector de bens transaccionáveis, apoiando as exportações e procurando perceber se há capacidade para aumentarem ou, se é necessário mais investimento na produção.  Portugal deve exportar produtos nacionais bem sucedidos e apreciados, para podermos melhorar a imagem desses mesmos bens no exterior. Ainda mais: deve-se procurar inserir Portugal nos circuitos económicos mundiais, numa perspectiva cosmopolita, ou seja: mais Portugal no mundo, mais mundo em Portugal, pelo que isso iria implicar uma maior internacionalização. É certo que o problema da competitividade não se restringe às exportações, que até têm crescido a um ritmo favorável, mas sim na travagem do excessivo crescimento das importações. O consumo tem a ver com a sua orientação para bens nacionais, sempre que possível, moderando a aquisição de produtos importados.  O aumento das exportações não será por si só suficiente senão reduzirmos ao mesmo tempo as importações, ou seja, é preciso produzir e poupar. Há também um consenso na ideia de que um dos mais cruciais instrumentos de combate à crise é o aumento da competitividade do país. Ora a competitividade, o aumento do emprego, o crescimento económico só poderão vir da iniciativa privada. A produtividade é determinada pela circulação de ideias, pela capacidade de absorver novas tecnologias, passando pela qualificação dos trabalhadores e dos empresários. Paralelamente a competitividade e o sucesso de um país demora tempo. Qual a condição para sairmos da crise e pôr a economia a crescer? É ganhar a confiança nos mercados internacionais e Portugal ser visto como um local seguro de investimento. A nossa recuperação económica vai fazer -se primeiro nas exportações, e, depois vai haver um período em que o investimento seja não só nacional, como também internacional. É importante que Portugal seja bem visto pelos investidores internacionais como um bom local para investir. O turismo obriga à importação temporária de cidadãos estrangeiros para que possam consumir em Portugal, pelo que também é uma mais -valia para o nosso país poder crescer a um ritmo sustentado.